O estiramento ou distensão muscular talvez seja a lesão mais comum nos esportes em geral. Segundo um estudo publicado pela revista Radiology, entorses de tornozelo e estiramentos musculares foram as lesões mais documentadas nos Jogos Olímpicos do Rio 2016, correspondendo a 30,4% do total. O atletismo foi o recordista em incidência de estiramentos.
O estiramento acontece quando a carga imposta ao músculo supera sua capacidade de absorção e há um colapso na estrutura interna, causando a ruptura de certo número de fibras musculares. Por isso, é muito comum em picos de treinamento ou em competições, onde, além do esforço máximo, há fatores emocionais envolvidos.
A quantidade de fibras rompidas determina a gravidade da lesão, o tratamento e o tempo de retorno. Uma das classificações mais usadas considera lesão de grau I até 25% de fibras rompidas, grau II até 50% e grau III acima de 50%. Quanto mais severa, mais difícil e demorado o retorno.
Mas o que fazer em caso de estiramento?
A pior coisa a fazer é tentar alongar o músculo — atitude comum entre amadores, que pode aumentar o número de fibras rompidas e agravar a lesão. No momento da lesão, o melhor é interromper imediatamente a atividade e aplicar gelo no local. Insistir pode comprometer de maneira definitiva a estrutura muscular.
As bases do tratamento são simples e, em quase todos os casos, conservadoras (sem cirurgia). Próximo à ocorrência, usam-se medidas anti-inflamatórias — medicamentos, gelo e recursos de fisioterapia como ultrassom e laser. O segundo passo é o reforço específico e gradual da musculatura, para que as células musculares se desenvolvam e recomponham o músculo, dando força e resistência. Uma lesão grau I pode levar de 15 a 30 dias para se recuperar; a grau III pode durar até 3 meses.
O melhor, porém, é prevenir: com reforço muscular, adequação da carga de treino para que não exceda a capacidade de recuperação e com o descanso que a musculatura merece. Faltando poucos dias para uma grande competição, a melhor estratégia é descansar e preservar a estrutura muscular para estar 100% na hora de competir.
Alexandre Rosa — fisioterapeuta, professor e ultramaratonista.