Julho de 2021 dará início às Olimpíadas. Esse evento é tão importante no cenário mundial que carrega a marca de maior audiência esportiva da história — em Londres 2012, foram 3,6 bilhões de espectadores. É interessante assistir a vários esportes ao mesmo tempo e ver a perfeição da técnica em cada um; isso nos motiva e nos inspira. Aliás, muita gente começa a praticar uma modalidade depois de assistir aos seus ídolos.
Geralmente relacionamos a performance dos atletas de elite ao esforço e à superação. Embora isso seja verdade, questões genéticas — e não apenas trabalho duro — são muito relevantes na definição do desempenho. É difícil imaginar Eliud Kipchoge (provavelmente o melhor maratonista de todos os tempos) como jogador de basquete. Falta esforço para ele chegar lá? Não: a genética dele não permitiu mais do que 1,67 m de altura, o que torna praticamente impossível o sucesso de alto nível no basquete.
A maioria de nós, corredores amadores, não é necessariamente favorecida geneticamente. Isso não significa que não possamos mudar nosso rendimento, apenas que dificilmente alcançaremos níveis olímpicos — o que não é um problema para quem usa a corrida para manter a saúde e melhorar os RPs, sem buscar índices olímpicos.
Mesmo que fatores genéticos sejam muito relevantes, fatores externos como treinamento e estilo de vida interferem (e muito) no resultado final. O treinamento consistente pode mudar completamente uma pessoa, da parte psicológica até questões fisiológicas. Você provavelmente não será um atleta de elite, mas seu desempenho pode continuar melhorando por muito tempo.
Para seguir evoluindo, sugiro prestar atenção em dois conceitos básicos: progressão e individualidade. A progressão garante uma adaptação contínua — e não vale apenas treino a treino, mas também a longo prazo. A individualidade lembra que cada corpo responde de forma única, e o treino deve respeitar as características e o momento de cada um.
Alex Tomé — treinador de corrida.