Correr sem Lesão

Treino gelado, desempenho afiado: cuide do corpo e corra como nunca

Frio Bom para o Pace, Atenção para as Articulações

Por: Alexandre Rosa Edição 51 - julho 2025
Treino gelado, desempenho afiado: cuide do corpo e corra como nunca

Muita gente torce o nariz pro frio, mas quem corre sabe: é nessa época que os recordes aparecem! As pernas rendem mais, o fôlego dura e o calor não atrapalha. Correr no frio pode até parecer desafiador no começo, mas é o clima perfeito pra voar baixo nas provas longas. No entanto, o frio impõe desafios importantes ao corpo, especialmente no que diz respeito à biomecânica das articulações e ao risco aumentado de lesões. Entender esses impactos e saber como se preparar adequadamente pode fazer toda a diferença na manutenção do desempenho e da saúde ao longo da temporada.

Em temperaturas baixas, o corpo humano sofre uma série de adaptações. Uma das mais evidentes é a vasoconstrição periférica, ou seja, os vasos sanguíneos se contraem para preservar calor nos órgãos vitais. Isso reduz o fluxo de sangue para músculos e articulações, tornando-os mais rígidos e menos preparados para movimentos explosivos ou repetitivos. A rigidez articular é um fator biomecânico que influencia diretamente a eficiência da corrida. Articulações como joelhos, tornozelos e quadris ficam menos lubrificadas, o que afeta a amplitude de movimento e altera o padrão de pisada.

Essa menor mobilidade, aliada ao enrijecimento muscular, pode resultar em uma mecânica de corrida menos fluida. O corredor, sem perceber, pode mudar sua cadência, comprimento da passada e até a forma de aterrissar o pé no solo. Pequenas alterações como essas, quando repetidas em milhares de passos durante um treino, podem sobrecarregar estruturas específicas e levar a lesões por esforço repetitivo, como tendinites, fasciite plantar, dores lombares e inflamações nos joelhos.

Outro ponto importante é que, no frio, a percepção corporal pode ser reduzida. Muitas vezes o atleta sente menos dor ou desconforto durante a corrida, o que o leva a não perceber sobrecargas até que o quadro evolua. A menor sensibilidade somada à alteração da biomecânica cria um cenário propício para microlesões que, se não tratadas, podem se tornar lesões mais graves.

Mas é possível treinar com segurança mesmo em dias gelados. O primeiro passo é a preparação adequada. O aquecimento deve ser mais longo e progressivo do que o habitual. Comece com movimentos articulares leves e vá avançando para exercícios mais dinâmicos como educativos de corrida, saltitos, skipping e deslocamentos. O objetivo é aumentar a temperatura corporal, melhorar a lubrificação articular e ativar a musculatura envolvida na corrida.

O uso de roupas térmicas também é fundamental. Além de proteger contra o frio, elas ajudam a manter a musculatura aquecida e funcional durante o treino. Proteger extremidades como mãos, cabeça e orelhas evita perdas excessivas de calor.

Ao final da corrida, também é recomendável manter o corpo em movimento por alguns minutos antes de parar completamente. Alongamentos leves, principalmente de membros inferiores, ajudam na transição para o repouso e na manutenção da mobilidade.

Por fim, esteja atento a sinais como dor persistente, sensação de rigidez excessiva e desequilíbrios durante a corrida. Eles podem indicar alterações na mecânica que precisam ser corrigidas com apoio profissional.

Com os cuidados certos, o frio não precisa ser um inimigo do corredor. Pelo contrário: com estratégias bem aplicadas, ele pode ser um aliado no fortalecimento da disciplina e na busca por desempenho seguro e saudável.

Alexandre Rosa

Alexandre Rosa

Fisioterapeuta (Time Runners)

Fisioterapeuta, Professor e Ultramaratonista 44x maratonas + 50k (45/50) Fisioterapia Esportiva e Ortopédica