Nos dias atuais, nossos hábitos estão cada vez mais parados e temos a tendência de nos movimentar cada vez menos. Como se não bastasse, trabalhamos sob uma rotina de estresse e convivemos com o mal do século: a ansiedade. O sono muitas vezes não basta para recuperar o corpo, que fica com sensação de fadiga e cansaço crônicos.
Mesmo quando somos ativos e praticamos exercícios, essas tensões podem atrapalhar o desempenho, a mobilidade e a saúde dos movimentos, gerando dores e lesões. Se você tem algum tipo de dor, limitações de mobilidade ou tensões musculares posturais e emocionais, a autoliberação é uma excelente forma de autocuidado.
É uma técnica relativamente simples, que você mesmo pode fazer, com forte base científica e muita efetividade na preparação e manutenção do corpo. Entre os benefícios da liberação miofascial estão:
- melhora das restrições fasciais e pontos-gatilho;
- melhora da amplitude de movimento;
- relaxamento de musculaturas hipertônicas;
- relaxamento do sistema nervoso;
- auxílio na recuperação pós-treino;
- maior autoconsciência do próprio corpo.
Boa parte das estruturas internas do corpo (músculos, ossos, órgãos) é envolvida e interconectada por uma membrana chamada fáscia. Por conectar diferentes estruturas, é comum que restrições em um ponto causem dores ou limitações em outro — por exemplo, restrições no quadril que geram dor lateral no joelho. A dificuldade de identificar essas causas é que as restrições fasciais não costumam aparecer em raios-X, tomografias ou ressonâncias.
Trabalhar as fáscias por meio da autoliberação miofascial é relativamente simples, desde que você entenda os fundamentos e aplique a técnica corretamente. Há um momento certo para cada objetivo: para melhorar a mobilidade, faça antes do treino; para recuperação muscular, depois do treino; para relaxar, em um momento à parte. As autoliberações podem ser feitas com rolos específicos, bolinhas de tênis e bastões — cada parte do corpo pede uma ferramenta e técnica específicas.
Vale lembrar que a autoliberação miofascial sozinha não é a solução para os problemas. Consulte um especialista e tenha um programa de treinamento adequado que apoie também essa técnica.
Roberta Abdala — profissional de Educação Física.