O atletismo dos Jogos Paralímpicos chama cada vez mais a atenção do público pela plasticidade dos movimentos e pelo grau de desempenho dos paratletas. Essa eficiência é tão impressionante que, em 2012, o sul-africano Oscar Pistorius foi o primeiro atleta a disputar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos na mesma edição — algo só possível pelo altíssimo grau de desenvolvimento das próteses ortopédicas esportivas.
Prótese ortopédica é um aparelho feito de peças artificiais que desempenham funções motoras semelhantes às de uma parte do corpo amputada ou que não pode mais ser utilizada. Algumas simulam os movimentos humanos de maneira tão perfeita que podem passar despercebidas. As esportivas são feitas com materiais mais resistentes e flexíveis, com características que favorecem determinados esportes — tanto que o próprio Pistorius chegou a ser proibido de correr com sua prótese “flex foot” (uma lâmina no lugar da perna e do pé) sob alegação de vantagem mecânica.
Mas o que faz dessas próteses algo tão especial? Em primeiro lugar, a especificidade: além da adequação ao segmento amputado, há ajustes para cada modalidade. Próteses para corrida exigem leveza e boa transmissão de força; outros esportes pedem mais estabilidade ou refinamento de movimento. O segundo ponto é a resistência do material: submetidas a altas cargas, precisam ser resistentes sem comprometer o peso — daí o uso de fibra de carbono e titânio.
Para quem acha que basta colocar a prótese e pronto, está enganado. O sucesso depende de todo um período de adaptação. Quando há um membro amputado, a anatomia local e a distribuição de peso corporal mudam, e é preciso um trabalho muscular e de reconscientização corporal. Com a protetização, a configuração corporal se altera novamente, exigindo um novo processo de adaptação — ou seja, adaptação sobre um corpo já adaptado. Se o trabalho do fisioterapeuta em dar força, flexibilidade e controle neuromuscular não for bem executado, todo o investimento pode não dar resultado.
As revisões periódicas são muito constantes: todo ganho de peso, volume ou dor pode afetar o funcionamento da prótese e, consequentemente, a performance. Elas devem ser feitas sempre por especialistas. Vale ressaltar que as próteses são confeccionadas sob medida para cada pessoa.
Alexandre Rosa — fisioterapeuta.