Começamos este artigo separando as percepções pessoais dos estudos neurocientíficos sobre a prática da corrida. Se perguntarmos a você, corredor, o que quer com a corrida, a resposta pode parecer óbvia. Alguns dirão que querem bater o RP, ter mais qualidade de vida e saúde, emagrecer, conquistar uma medalha ou simplesmente sentir o prazer de correr.
Porém, esse prazer ficava restrito à experiência pessoal, sem embasamento científico — eram apenas opiniões de quem corre e se sente bem. Isso ficou para trás: hoje a explicação é científica. Estudiosos da Universidade do Arizona revelaram que há um aumento de conexões funcionais no cérebro de corredores.
Eles fizeram um estudo com 22 voluntários — metade corredores e metade homens saudáveis e sedentários — avaliando a atividade cerebral por ressonância magnética. Os resultados foram surpreendentes: aumento da capacidade multitarefa, facilitação da memória de trabalho, potencialização da atenção, mais processamento de informações sensoriais e mais agilidade na tomada de decisões.
A partir desse estudo, a corrida deixa de ser uma atividade física básica e passa a ser uma atividade que exige habilidades complexas de navegação durante o trajeto, grande capacidade de planejamento e monitoramento. Além disso, previne doenças como o AVC, aumenta o prazer, reduz a dor, relaxa o corpo e a mente, diminui o estresse, melhora a memória e promove o nascimento de novos neurônios no hipocampo.
A corrida e a melhora da atividade cerebral se tornam um único sistema, que deve ser percebido por quem pratica — ou por quem ainda está decidindo se deseja ter mais saúde física e mental — como uma forma de viver mais e melhor. Vivo, logo eu corro.
Carlos Campelo — maratonista, neurocientista comportamental e neurocoach.

