As doenças do sistema musculoesquelético de origem reumatológicas são extremamente comuns e podem ser altamente incapacitantes, resultando em um elevado custo social e econômico. Essas condições afetam a qualidade de vida dos indivíduos, limitando suas atividades diárias e causando dor intensa, sento esta uma das queixas mais comuns nos consultórios médicos. A interferência nas atividades diárias pode levar à incapacidade temporária ou permanente, afetando a independência e a funcionalidade do paciente.
A abordagem clínica geral do indivíduo com queixas reumatológicas é fundamental, sendo necessário a busca por uma história evolutiva precisa e a realização de um exame físico criterioso. As doenças musculoesqueléticas podem ser classificadas em praticamente nove categorias, definidas pelos tecidos predominantemente afetados. Por exemplo, na artrite reumatóide e na gota, o tecido predominante afetado é a membrana sinovial da articulação (sinovite), enquanto na osteoartrite, o que ocorre é a degeneração da cartilagem articular. Portanto, para os diagnósticos clínico e diferencial adequados, exames de imagem e laboratoriais, bem como a avaliação por outros especialistas, são muito importantes.
Estudos recentes têm mostrado uma possível inter-relação entre algumas doenças reumatológicas, como artrite reumatoide e artrite idiopática juvenil, com a periodontite, doença que envolve a perda de suporte dos dentes. Os estudos sugerem a existência de similaridades entre os mecanismos patogênicos dessas duas condições: a presença de alguma desregulação imunológica na doença reumatológica poderia favorecer a suscetibilidade à doença periodontal destrutiva e vice-versa. Embora essas teorias ainda careçam de maiores evidências, na prática diária, o diagnóstico de doenças de gengiva (gengivites e periodontites), bem como seu respectivo tratamento e acompanhamento, são necessários em indivíduos com diagnóstico de doença reumatológica. Agir segundo Hipócrates: ser útil ou, pelo menos, não prejudicar.
Além dos cuidados médicos e odontológicos, a prática de exercícios aeróbicos regulares ajuda a diminuir respostas imunológicas alteradas, melhorando as condições desfavoráveis das doenças reumatológicas. Uma meta-análise publicada em abril de 2018 pela revista Arthritis Care and Research, observou, ao analisar cinco estudos com até 298 participantes por estudo, que o exercício aeróbico resultou em redução estatisticamente significativa na fadiga autorreferida pelos pacientes com artrite reumatoide. Já a musculação gera benefícios por meio do fortalecimento da musculatura, auxiliando na absorção da energia empregada sobre as articulações doloridas.
Assim, para pacientes com doença musculoesquelética, o objetivo do tratamento busca controlar a dor, impedir a destruição da articulação e manter a independência. Por essa razão, o tratamento deve ser individualizado e fundamentado na identificação precoce de sinais e sintomas. Fatores que possam interferir tanto causa quanto na recuperação de indivíduos com doença reumatológica, como doenças gengivais destrutivas e a falta de exercícios, deve ser considerado.
Victor Ferras Wolwacz / Ana Chapper

