Protocolo Runners Brasil

6 semanas para construir velocidade nos 10 km

Página destacável do Protocolo Runners Brasil: um plano de seis semanas para melhorar a economia de corrida e sustentar ritmos mais altos por meio do treinamento de força, sem aumentar o volume semanal.

Por: Gustavo Jorge Edição 64 - agosto 2026
6 semanas para construir velocidade nos 10 km

Objetivo

Melhorar a economia de corrida e desenvolver a capacidade de sustentar velocidades mais altas por meio do treinamento de força, sem aumentar significativamente o volume semanal de corrida.

As 6 semanas, em ordem

Semanas 1 e 2: construir · Semanas 3 e 4: converter · Semanas 5 e 6: integrar.

Fase 1 · Semanas 1 e 2 — Construir

Criar uma base sólida para produzir força com eficiência nas fases seguintes.

  • Aperfeiçoar a técnica dos movimentos
  • Desenvolver força geral
  • Estabilidade e controle em apoio unipodal
  • Manter o volume habitual de corrida

Sem pliometria nesta fase.

Fase 2 · Semanas 3 e 4 — Converter

Transformar a força construída em capacidade de produzir força rapidamente.

  • Progressão gradual da carga
  • Movimentos com intenção de velocidade
  • Pliometria de baixa intensidade
  • Manter a qualidade técnica

40 a 60 contatos com o solo por sessão.

Fase 3 · Semanas 5 e 6 — Integrar

Transferir os ganhos do treinamento de força para a mecânica da corrida.

  • Progressão da pliometria
  • Integração entre força e velocidade
  • Melhora da economia de corrida
  • Técnica mantida em ritmos elevados

60 a 100 contatos com o solo por sessão.

Como conduzir o protocolo

  • Priorize a qualidade da execução.
  • Não aumente volume e intensidade simultaneamente.
  • Respeite os intervalos de recuperação.
  • Faça progressões graduais.
  • Evolua a carga apenas quando a qualidade do movimento também evoluir.
  • Ajuste os contatos com o solo conforme sua experiência e resposta individual.

Como avaliar: melhorar o tempo é apenas um dos indicadores

  • Menor percepção de esforço para o mesmo ritmo
  • Mais estabilidade durante a fase de apoio
  • Melhor controle do tronco e da pelve
  • Contato mais eficiente com o solo
  • Recuperação mais rápida entre estímulos intensos
  • Melhora da economia de corrida

Uma avaliação biomecânica da corrida antes e depois do período permite identificar mudanças que muitas vezes não aparecem no cronômetro. Alterações na técnica, no tempo de contato com o solo, na estabilidade e na eficiência da passada ajudam a verificar se o treinamento de força está realmente sendo transferido para a corrida, e orientam ajustes individualizados no planejamento.

Três princípios para lembrar

  • Sem aumentar o volume: o protocolo constrói velocidade pela força, não por mais quilômetros na semana.
  • Qualidade antes de carga: a técnica é o critério que autoriza a próxima progressão.
  • Uma variável por vez: volume e intensidade nunca sobem juntos na mesma semana.
Gustavo Jorge

Gustavo Jorge

Fisiologista do Exercício (Time Runners)

Fisiologista do Exercício