Q&A

Q&A com Felipe Linck

Planejamento, disciplia e quilometros

Por: Sabine Weiler Edição 52 - agosto 2025
Q&A com Felipe Linck

Felipe Linck tem na corrida um aliado que vai muito além da performance. Educador físico e gestor do grupo Usina do Corpo, no Rio Grande do Sul, ele vive uma rotina intensa que exige disciplina para equilibrar trabalho, treinos e alimentação. Corredor desde 2006, Felipe já enfrentou desafios comuns a muitos atletas amadores: manter o peso, organizar refeições no dia a dia e aprender, na prática, que não existe fórmula única quando o assunto é nutrição esportiva. Em entrevista para a Runners Brasil, ele compartilha experiências reais, erros que se transformaram em aprendizado e reforça a importância de planejar e adaptar a dieta à rotina e ao tipo de prova. Felipe também revela o papel fundamental que a corrida desempenha na sua vida.

Sabine Weiler: Como iniciou a sua história com a corrida.
Felipe Linck: Corro desde 2006 e, em 2026, completarei 20 anos de relação com o esporte. Minha conexão com a atividade física, no entanto, vem desde a infância, quando fui atleta de categorias de base até os 18 anos.

Sabine: O que te mantém motivado a correr até hoje?
Felipe: Hoje, a corrida é essencial para mim, tanto como estímulo à capacidade física quanto como um importante escape emocional para a minha rotina intensa de trabalho. Não consigo imaginar deixar de correr ao menos duas vezes por semana.

Sabine: Qual é o teu momento atual na corrida? Treina com objetivos de performance ou mais pelo prazer, bem-estar e socialização?
Felipe: A corrida está em um estágio de recomeço para mim. Depois da pandemia e, mais recentemente, das enchentes aqui no Sul, tive uma rotina profissional muito intensa, o que me afastou de provas e objetivos específicos. Agora estou em processo de retreinamento, buscando recuperar o condicionamento.

Sabine: Como é a tua rotina hoje, conciliando a gestão do grupo Usina do Corpo com os treinos?
Felipe: A Usina do Corpo sempre teve como foco principal as academias de musculação e ginástica, mas era um sonho antigo iniciar um projeto inovador de grupo de corrida em academias tradicionais aqui de Porto Alegre. Além disso, a cidade conta com um dos mais belos trajetos de treino do Brasil, que é a orla. Desde março, nosso grupo se reúne todos os sábados de manhã, na Orla, para os treinos.

Sabine: Você tem migrado para provas de montanha. Elas têm te conquistado mais do que as provas de asfalto?
Felipe: Sim. Desde que voltei ao Rio Grande do Sul, em 2019, tenho participado de provas de montanha no interior do estado e confesso que estou gostando muito. O contato com a natureza e o silêncio das corridas em trilha me fazem muito bem.

Sabine: Como é a tua relação com a alimentação? Consegue manter o peso, precisa controlar, tem uma rotina alimentar regrada?
Felipe: Sempre tive dificuldade com a alimentação, usando-a, muitas vezes, como válvula de escape para frustrações, estresse e até conquistas da vida pessoal. Equalizar isso é um desafio, mas tento manter uma rotina equilibrada de segunda a sexta e permitir um pouco mais nos fins de semana.

Sabine: O quanto o teu trabalho e os compromissos administrativos impactam na tua alimentação e na rotina de treinos?
Felipe: Impactam bastante. Por isso, tento me organizar previamente, planejando o cardápio do dia inteiro, para manter uma alimentação saudável. O segredo está na gestão e no preparo antecipado dos alimentos.

Sabine: O que costuma comer antes de um treino longo/intenso e em dia de prova?
Felipe: Tenho um ritual que não pode faltar: café e banana. Porém, como meu volume e intensidade estão mais baixos ultimamente, muitas vezes acabo correndo em jejum.

Sabine: Já cometeu algum erro de alimentação em prova, ou evita algo com base em experiências anteriores?
Felipe: Já! Na minha segunda meia maratona do Rio, na véspera, saí com amigos e acabei tomando um chope a mais. Por volta do km 14, senti o efeito. Foi sofrido! (risos)

Sabine: Usa algum tipo de suplemento antes, durante ou após as provas, ou prefere uma abordagem mais natural?
Felipe: No momento, não estou usando nada. Em provas mais longas, sempre gostei de consumir gel de carboidrato, mas apenas a partir do 10º ou 15º quilômetro. Sempre funcionou bem para mim.

Sabine: Qual é o erro mais comum que você vê entre corredores quando o assunto é nutrição?
Felipe: Seguir cegamente o que funcionou para outras pessoas. Vivemos na era da repetição de comportamentos, e isso pode ser prejudicial. É preciso ter cuidado com quem você segue e quem influencia suas decisões.

Sabine: O que a corrida te ensinou sobre equilíbrio entre corpo, mente, trabalho e alimentação?
Felipe: A corrida é parte essencial da minha rotina semanal. Minha semana com corrida é uma; sem corrida, é outra. A corrida salva vidas! Sempre que posso, tento levar familiares, amigos e colegas para esse universo. Acredito que pessoas que correm são pessoas melhores.

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Sabine Weiler

Sabine Weiler

Jornalista (Time Runners)

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