Q&A

Q&A com Ezequiel Rodrigues

Correr é qualidade de vida

Por: Sabine Weiler Edição 53 - setembro 2025
Q&A com Ezequiel Rodrigues

A dois dias de participar da Maratona Internacional de Porto Alegre, a vida de Ezequiel Rodrigues da Luz deu uma reviravolta. Em vez de correr mais uma prova no fim de semana, o militar aposentado estava numa cama de hospital. E foi justamente um acessório de corrida que deu ao atleta, o alerta mais importante até então: o Garmin emitiu um sinal inesperado, que acabou se transformando em um aviso decisivo que salvou sua vida. Ezequiel estava com uma artéria obstruída por causa de uma inflamação no miocárdio, provocada por influenza. Já recuperado da cirurgia e do susto, e de volta aos treinos, o gaúcho se prepara para a próxima prova. À Runners Brasil, ele compartilha como a disciplina nos treinos e os exames regulares de prevenção são fundamentais não apenas para correr bem, mas para manter o coração saudável.

Sabine Weiler: O que te motivou a começar a correr?
Ezequiel Rodrigues da Luz: Até 2007 eu corria por correr, não entendia muito. Mas em 2007, quando estava no Curso de Operações Especiais do BOPE do Rio Grande do Sul, fui conhecer a corrida através de um instrutor, o Ten. Braga. Comecei a me interessar e aí não parei mais.
Sabine: Como a corrida foi mudando seu estilo de vida ao longo do tempo?
Ezequiel: A corrida é qualidade de vida, né? A gente sai com a cabeça cheia de problemas (rsrsrs). Nos primeiros 12 minutos, teu corpo parece que não quer, mas depois só vai. Aí voltamos leves, já prontos para a próxima!

Sabine: O que aprendeu sobre disciplina e resiliência com a corrida? Como a corrida já te ajudou a superar obstáculos da vida?
Ezequiel: Corredor tem que ter disciplina para alcançar os objetivos, cumprir a planilha sem desculpas, respeitar nosso corpo. Treino é treino. Deixar para dar o máximo nas provas, né? Sempre consegui conciliar meus treinos com meu trabalho, sem desculpas, acordando mais cedo e realizando o previsto. Isso dá a sensação do dever cumprido, até mesmo naquele dia que a gente está sem vontade.

Sabine: Você passou por um caso sério de saúde – um princípio de infarto – e o Garmin teve um papel fundamental naquele momento. Como foi essa experiência?
Ezequiel: Foi inusitado. Eu tinha um Garmin 935 – hoje uso o 965. Estava na preparação para os 21 km da Maratona de Porto Alegre, quando, dois dias antes, numa quinta-feira, fui nadar. Logo após a natação, fui até o Barra Shopping pegar o kit da prova, quando o relógio começou a vibrar, informando que meus batimentos estavam alterados. Eu não acreditei e continuei. Quando entrei para pegar o kit, começaram dores fortes na cabeça. Sorte que estava perto do hospital da Brigada. Cheguei lá e já fui atendido. Depois de vários exames, constataram que eu estava com uma artéria obstruída, tendo que fazer cateterismo. Na sequência, começou a me dar febre de 38°. Fiz novo exame e constataram que também estava com influenza, o que acabou inflamando o miocárdio. O susto foi grande, pois se não tivesse chegado a tempo poderia ter dado infarto fulminante. Na hora que o Garmin alertou, meus batimentos em repouso estavam quase 150. Posteriormente, constataram que a obstrução era devido à inflamação. Depois de um mês, vida normal no esporte.

Sabine: Como a corrida contribuiu para sua recuperação após a cirurgia no coração?
Ezequiel: Acho que se não fosse meu condicionamento, eu não teria chegado ao hospital.

Sabine: Quais cuidados médicos você considera indispensáveis para quem corre pensando em prevenção?
Ezequiel: Fazer exames regularmente, principalmente cardiológicos, e respeitar a planilha.

Sabine: Existe algum treino que você precisou adaptar depois da cirurgia?
Ezequiel: No começo, comecei de leve, apenas caminhava e corria nas primeiras semanas. Depois, vida normal: natação, corrida e pedal.

Sabine: Na corrida a disciplina é fundamental. Você também viveu isso intensamente na carreira militar e como segurança do governador. O que mais aprendeu nesses anos que também se reflete na corrida?
Ezequiel: Aprendi que desculpas não nos levam a lugar nenhum. Independentemente do seu trabalho, é obrigatório tirar até uma hora diária para correr, que você pode fazer em qualquer lugar. É só levar o tênis na mala e vai.

Sabine: Você trabalhou como salva-vidas e resgatou muitas pessoas no mar. Quando olha para trás, o que sente ao lembrar dessa transformação?
Ezequiel: Foram momentos inusitados, e isso não tem preço. Só o fato de poder ajudar as pessoas em fase de afogamento, conseguir chegar e dar todo o suporte é emocionante. Se pudesse, voltaria e faria tudo de novo.

Sabine: Você já correu maratonas desafiadoras como a Uphill. O que essas provas te ensinaram?
Ezequiel: Muita resistência. É você com você mesmo.

Sabine: Qual prova mais te marcou e por quê?
Ezequiel: Extreme Triathlon em Canasvieiras, em Florianópolis (SC). Foi minha melhor natação, bike e corrida.

Sabine: Qual foi o momento mais emocionante que a corrida já te proporcionou?
Ezequiel: Vários momentos. Só de estar naquela positividade já não tem preço.

Sabine: O que significa para você “correr pela vida”?
Ezequiel: Qualidade de vida. Nunca pare de correr, caminhar ou pedalar. Não importa o que seja, só faça.

Sabine: Quais são seus próximos sonhos e objetivos na corrida?
Ezequiel: A próxima é a 1ª Meia Maratona Mercado Público, em Porto Alegre, em 10 de outubro.

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Sabine Weiler

Sabine Weiler

Jornalista (Time Runners)

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