Coração em Movimento

O que acontece com o seu coração quando você aumenta o volume de treino?

Por: Dra. Juliana Peres Edição 60 - abril 2026
O que acontece com o seu coração quando você aumenta o volume de treino?

Você começou a correr distâncias maiores, aumentou o volume semanal… mas sabia que isso provoca adaptações importantes no seu sistema cardiovascular?

Um erro comum entre corredores é aumentar volume e intensidade sem entender o impacto fisiológico desse processo. A maioria fica focada apenas no pace e na quilometragem, ignorando o papel central do coração na performance.

Quando você aumenta o volume de treino, seu corpo entra em um processo de adaptação para entregar mais oxigênio e gastar menos energia para o mesmo esforço.

As primeiras adaptações percebidas costumam ser:

  1. Redução da frequência cardíaca de repouso
    Há aumento do tônus parassimpático (estado de maior relaxamento), o que torna o coração mais eficiente.
  2. Aumento do volume sistólico
    O coração passa a ejetar mais sangue a cada batimento.
  3. Remodelamento cardíaco fisiológico
    Ocorre um leve aumento das câmaras cardíacas, principalmente do ventrículo esquerdo.
  4. Melhora da capacidade aeróbia (VO₂)
    O organismo se torna mais eficiente na extração e utilização de oxigênio pelos músculos.

É como transformar um motor comum em um motor de alta eficiência: ele faz mais com menos esforço.

Mas para que isso aconteça, não basta apenas correr mais. É fundamental correr na intensidade certa para estimular adaptações específicas.

Existem dois principais limiares de treino (tema que detalhamos no editorial anterior).
 O primeiro limiar (limiar aeróbio) é onde desenvolvemos maior eficiência metabólica e cardíaca, ou seja, aprendemos a correr com mais economia.
 Já o segundo limiar (limiar anaeróbio) está relacionado à capacidade de sustentar esforços mais intensos.

Mas surge uma pergunta importante: existe um limite saudável para essas adaptações?

A resposta passa pela individualidade biológica.
 O mesmo treino pode gerar evolução em um atleta e exaustão em outro.

Fatores como genética, idade, sexo, histórico esportivo, qualidade do sono, estresse e nutrição influenciam diretamente a forma como o seu corpo responde ao treinamento.

Além disso, adaptações mais marcantes (como o aumento do tamanho do coração) só ocorrem quando há volume e tempo de treino compatíveis com esse estímulo. Por isso, essa diferenciação durante a avaliação cardiológica deve ser feita com muito critério, para distinguir o que é adaptação fisiológica do que pode representar risco.

É possível otimizar essas adaptações? Sim.

Na prática, os pilares mais importantes são:

  • progressão gradual de carga
  • monitoramento da frequência cardíaca de repouso e de nos treinos
  • respeito aos treinos em zonas de baixa intensidade
  • sono de qualidade
  • nutrição adequada

Aprenda de uma vez por todas:
 o coração é o centro da sua performance.

Mas, acima de tudo, ele é o centro da sua vida.

Dra. Juliana Peres

Dra. Juliana Peres

Cardiologista e Médica Esportiva (Time Runners)

A Médica dos Corredores Medicina Esportiva e Cardiologia Longevidade, performance e segurança 7x Maratonista