Na corrida e na carreira, o verdadeiro crescimento acontece quando aceitamos desafios que parecem estar além do nosso alcance. Minha jornada na corrida começou quase por acaso, quando, em 2012, assumi a posição de Gerente a Executivo de RH em uma empresa gerida pelo então empresário João Paulo Diniz, renomado empresário e triatleta. Logo de cara, recebi a missão de organizar a participação da empresa na Maratona de Revezamento Pão de Açúcar, que aconteceria em setembro daquele ano. Era um desafio imenso: coordenar os participantes, acompanhar a confecção das camisetas personalizadas, cuidar da vestimenta dos atletas de elite, gerenciar a divulgação para os colaboradores, organizar assessoria de treino, inscrições, acesso à área VIP e convidados. Confesso que quase surtei, pois o único norte que tinha era uma planilha deixada pelo meu antecessor, e por um momento, o desespero quase tomou conta.
Além da organização, me desafiei a correr na prova, integrando um dos grupos de amadores com oito participantes. E foi aí que nasceu minha paixão pela corrida de rua. A experiência foi um sucesso, tanto na gestão do evento quanto na superação pessoal ao cruzar meu primeiro pórtico de chegada.
Dessa vivência, tirei lições valiosas para a corrida e para a carreira. O primeiro aprendizado foi claro: na corrida e no mundo profissional, nem sempre começamos sabendo tudo. A insegurança inicial faz parte, mas o compromisso com a preparação e o aprendizado contínuo fazem toda a diferença. A planilha deixada pelo meu antecessor não me deu todas as respostas, mas foi um ponto de partida. Assim como no trabalho, onde muitas vezes recebemos um desafio com poucos direcionamentos, cabe a nós organizar as informações, tomar decisões e seguir em frente.
Com o passar do tempo, fui evoluindo na corrida: dos primeiros 10 km à busca por um RP abaixo de uma hora, depois os 15 km, os 17 km e, por fim, a meia maratona, que corri por vários anos, alcançando meu melhor tempo de 1h58. Mas foi quando decidi treinar para minha primeira maratona, a SP City 2019, que entendi, na prática, o que significa encarar um desafio de longo prazo.
Foram 10 meses de treino intenso, e, no meu primeiro treino de 30 km, sofri uma lesão no quadril a 40 dias da prova. Dias difíceis de fisioterapia intensiva, gelo, analgésicos, ajustes nos treinos—mas desistir não era uma opção. No dia da maratona, os últimos dois quilômetros foram de dor extrema, mas a chegada foi uma experiência transformadora.
E o que essa jornada ensina sobre carreira?
1) Não é um sprint, é uma maratona
O sucesso profissional não acontece com um único grande esforço. São anos de preparo, constância e resiliência. Assim como um corredor precisa de base antes de encarar distâncias maiores, um profissional precisa de aprendizado e experiência antes de alcançar cargos de liderança.
2) A estratégia é mais importante que a velocidadee
Em uma maratona, sair forte demais pode significar quebrar antes da linha de chegada. No trabalho, pular etapas ou querer crescer rápido demais sem uma base sólida pode levar ao esgotamento ou à frustração.
3) Lesões acontecem, adapte-se e siga em frente
Na vida profissional, obstáculos aparecem: demissões, projetos que não dão certo, mudanças inesperadas. Assim como uma lesão, esses momentos exigem ajustes. O importante é não desistir da jornada.
4) A chegada vale o esforço
Os últimos quilômetros da maratona foram os mais difíceis, mas o sentimento de cruzar a linha de chegada fez tudo valer a pena. No trabalho, aquele projeto desafiador, a promoção tão esperada ou a transição de carreira bem-sucedida têm um gosto especial porque sabemos o que foi preciso para chegar lá.
Seja correndo uma maratona ou construindo uma carreira sólida, a chave está em planejar, persistir e saber que os desafios fazem parte do caminho. Afinal, os maiores aprendizados vêm justamente daquilo que nos faz sair da zona de conforto.

