Saúde Bucal na Corrida

Hábitos simples que evitam problemas no longo prazo

Por: Dr. Victor Wolwacz Edição 60 - abril 2026
Hábitos simples que evitam problemas no longo prazo

Poucos percebem que a sofisticação não se centra na complexidade, mas na clareza, na elegância e na funcionalidade, tornando o complexo simples. Atribuem a Leonardo da Vinci a frase “A simplicidade é o último grau da sofisticação”. Se é verdadeiramente dele a frase, não se sabe. Mas é certo que o verdadeiro refinamento surge ao eliminar excessos e focar no essencial. Isto se aplica inclusive aos hábitos de higiene.

O hábito diário de higiene oral é uma das tarefas cotidianas que adquirimos ainda na infância. Entretanto, será que estamos realmente conseguindo estabelecer um autocuidado que resulta em saúde bucal?  Alguém já orientou, de forma específica, instruindo, corrigindo e avaliando os resultados?    São esses os hábitos, que quando bem delineados e orientados nas consultas de manutenção estabelecidas pelo Dentista, que fazem a diferença. A forma de abordar esse assunto, a linguagem do profissional ao orientar, deve ser personalizada e simplificada. Neste momento, o profissional deve apresentar os recursos, como escovas, fio dental, escovas interdentais, passa-fio, dentifrícios, enxaguantes. Eles deverão ser os mais adequados para cada caso. As orientações devem necessariamente incluir a demonstração de como, o porquê, qual a frequência e quando fazer.

Existem protocolos básicos no que tange a higiene bucal mecânica manual: escovação dentária para limpar as superfícies livres e o uso do fio dental, para as regiões entre dentes. Os dentifrícios, sempre com flúor para prevenção de cáries. Estes três elementos são do conhecimento de todos. E fazer a higiene após as refeições. A questão é: feito dessa forma, tem funcionado? Os sinais e sintomas mostram que é preciso individualizar e prescrever uma higiene específica? Na verdade, são informações importantes para que o cuidado do dia a dia resulte em saúde bucal, e que na próxima consulta de revisão não se tenha muitas necessidades de tratamento, ou seja, para que esta consulta seja apenas de uma revisão básica sem maiores complicações.

E para nós corredores?  Existe algum tipo de orientação específica? Sim.  Géis de carboidrato e barras de cereal têm muito açúcar; isotônicos, apresentam pH ácido, etc. Todos são potencialmente prejudiciais aos dentes. Claro que a frequência e consistência (líquidos são menos danosos que os sólidos, pois o contato com os dentes é muito mais rápido) podem levar o indivíduo a ter mais suscetibilidade a cáries. Soma-se a qualidade e quantidade de saliva, uso de medicamentos que podem alterar a saliva, qualidade da higiene oral e contato com o flúor, que são fatores que fazem a diferença. Dessa forma não é possível, nem razoável, generalizar, mas uma avaliação individualizada deve levar em consideração esses fatores.  Será que os hábitos adquiridos com a corrida, com relação ao uso de géis e similares estão impactando na minha saúde oral?  Conversem com o profissional que cuida da sua saúde bucal e avalie criteriosamente essa situação.

Tanto a cárie quanto as doenças de gengiva são decorrentes do acúmulo de bactérias sobre a superfície dental, mas apresentam mecanismos de desenvolvimento diferentes. A cárie precisa que as bactérias presentes sejam expostas frequentemente a açucares da dieta. Já a doença gengival também se estabelece pelo acúmulo de bactérias (biofilme sobre a superfície dental) e é mediada por fatores genéticos, comportamentais (qualidade de higiene oral), doenças como diabetes, obesidade, síndrome metabólica.  O controle do biofilme é importante tantos para a cárie quanto para a doença de gengiva, mas deve ser orientado especificamente e avaliados por um profissional. Não basta só escovar os dentes para ter um resultado positivo.

A utilização de dentifrícios com flúor é uma recomendação. Existe no mercado dentifrícios com alta concentração de flúor que pode ser uma indicação em algumas situações. A frequência de escovação, e a duração (o rapidinho não funciona) são importantes, mas saber o que remover, como remover, onde estão os locais mais complicados e mais suscetíveis a ter cárie e como os acessar é de suma importância. Da mesma forma pacientes podem se beneficiar do uso de dentifrícios antiplaca e antigengivite, mas a remoção mecânica do biofilme deve ser eficiente para tal. Já os enxaguatórios bucais devem ser prescritos para fins específicos, pois variam quanto a indicação, eficácia, possíveis efeitos colaterais e segurança.

Sendo assim, é possível simplificar com qualidade, mas conhecer o que fazemos, como fazemos, o que precisamos para fazer bem, faz a diferença nos resultados.    Boas corridas

Dr. Victor Wolwacz

Dr. Victor Wolwacz

Dentista (Time Runners)

Dentista