Corrida e Carreira

Disciplina como ativo profissional: por que você corre às 5h, mas trava às 9h?

Por: Eduardo Rodrigues Edição 60 - abril 2026
Disciplina como ativo profissional: por que você corre às 5h, mas trava às 9h?

Anos atrás, vivi uma situação que nunca esqueci.

Comentei com o CEO que no dia seguinte chegaria depois das 10h. por conta do rodizio de placas de veículos, que temos aqui em São Paulo.  Não era um pedido, era só um aviso. Como executivo, eu não tinha controle rígido de horário e isso nunca tinha sido problema.

Ele ouviu e respondeu com uma pergunta: Mas pra correr você acorda que horas nos dias de treino?

Respondi na hora: Por volta das 5h.

Ele apenas disse: Ah. E ficou por isso. Mas não ficou.

Naquele comentário veio um recado claro: você já sabe ser disciplinado, só escolhe onde aplicar.

Ali caiu a ficha. Não era sobre horário ou sobre chegar depois das  10h. Era sobre coerência. Eu estava disposto a acordar às 5h para um compromisso pessoal, mas flexibilizando um compromisso profissional.

A cena é comum. Às 5h da manhã o despertador toca e, sem negociação, você levanta, coloca o tênis e vai correr. Frio, sono e cansaço não viram desculpa.

Algumas horas depois, no início do trabalho, surgem a procrastinação, a falta de foco e a dificuldade de manter constância.

A mesma pessoa que demonstra disciplina quase inegociável na corrida muitas vezes não replica esse comportamento na carreira.

Disciplina não é algo que existe apenas em um contexto. É um ativo que deveria atravessar todas as áreas da vida.

Quem corre sabe que nem todo dia dá vontade, mas vai mesmo assim. Na carreira, muita gente ainda espera estar motivado para agir.

Na prática, consistência vence intensidade, processo vence emoção e resultado vem no longo prazo.

Essas regras não mudam fora da corrida, apenas são ignoradas.

O erro mais comum é separar quem você é de manhã de quem você é no trabalho.

Você já provou que tem disciplina. O desafio é transferir esse comportamento.

Quando a corrida vira prioridade e o trabalho apenas obrigação, o nível de entrega muda.

Alguns ajustes simples fazem diferença e eu quero compartilhar aqui com vocês.

Crie rituais e não dependa de vontade. Defina blocos fixos para estudo, planejamento e execução. Sem decisão na hora, apenas execução.

Estabeleça metas mensuráveis. Na corrida você mede tempo, distância e ritmo. Na carreira, é preciso medir entregas, evolução e progresso real.

Respeite o processo. Resultados consistentes não são fruto de sorte, mas de repetição e construção ao longo do tempo.

Existe também um ponto desconfortável. Algumas pessoas usam a corrida como válvula de escape de uma carreira que não está evoluindo.

Correm para aliviar, mas evitam encarar o que precisa ser feito profissionalmente.

A disciplina já existe, mas está sendo usada apenas onde é mais confortável.

Aquele comentário simples nunca saiu da minha cabeça.

No fundo, não era sobre horário. Era sobre escolha.

Se você consegue acordar às 5h para correr, já tem um ativo poderoso.

A questão é direta: onde você está escolhendo não usar essa disciplina?

No fim, não se trata do quanto você consegue se esforçar, mas de onde decide colocar esse esforço. Bora fazer o que precisa ser Feito?

Eduardo Rodrigues

Eduardo Rodrigues

Mentor de carreira (Time Runners)

Mentor de carreira