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Destaque da Edição – com Maria Mátos

7 maratonas, 7 continentes

Por: Dani Christoffer Edição 52 - agosto 2025
Destaque da Edição – com Maria Mátos

Maria Mátos: a brasileira que correu pelos 7 continentes, fechou a mandala das majors e inspira milhares com sua trajetória como atleta e nutricionista.
Em agosto, mês do Dia do Nutricionista (31/08), a Revista Runners Brasil celebra a alimentação como pilar essencial para a saúde, a performance e a longevidade no esporte. E ninguém melhor para representar essa conexão do que Maria Mátos, professora de educação física, nutricionista e primeira brasileira a correr maratonas nos 7 continentes — desafio que iniciou em 2012 e concluiu em 2015, na Antártida.
Com um currículo impressionante de 17 maratonas, uma ultramaratona de 133km, e três participações na Maratona de Boston (2023, 2024, 2025), Maria também completou a cobiçada World Marathon Majors, com provas em Nova York, Londres, Boston, Tóquio, Chicago e Berlim.
Mais do que medalhas, a trajetória dela é marcada pela paixão pelo esporte, disciplina e a vontade de compartilhar conhecimento. No perfil @nutricorrida, ela inspira milhares de pessoas com dicas, relatos, receitas e reflexões sobre o que significa viver o esporte com consciência e amor.
Nesta entrevista exclusiva para a Runners Brasil, Maria fala sobre sua jornada, os bastidores das provas mais desafiadoras do mundo e a importância da alimentação para ir mais longe — com saúde e prazer.

Maria Mátos e a corrida

Maria Mátos, nasceu em Brasília, onde vive até hoje. Completou 47 anos muito bem corridos, aliás, foi mãe aos 40 e correu até o dia do nascimento do seu filho Rafa. E a corrida veio no DNA, se tornou corredora com incentivo do pai.

“Eu comecei a correr por causa do meu pai. Ele literalmente me colocou pra CORRER.” – Maria Mátos

Sobre a corrida, Maria afirma: todo mundo já precisou correu em algum momento na vida. Seja para pegar a porta aberta do elevador ou não deixar algo cair.
Correr é natural do ser humano…certo? Não era pra mim.
Em 2009, eu trabalhava no hospital como nutricionista em UTI 12h e descansava 36 h, com um rotina louca e estilo de vida péssimo que não permitiam encaixar uma atividade física. Foi quando eu recebi uma ligação do meu pai pedindo para ajuda no plano alimentar para uma prova chamada Volta ao Lago de 100 km em equipe.

Eu desliguei o telefone e percebi que não sabia absolutamente nada do universo do meu pai. Acordar 4h para a largada as 5:30h, comer macarrão, beber água de coco toda hora…eu pensei o que esses corredores tinham na cabeça?
No dia da prova do meu pai aconteceu algo que MUDOU a minha vida. Eu fui convidada para ser o apoio e o suporte na nutrição durante as 8 horas. Estava tudo indo bem, quando faltava os últimos 10 km para fechar a prova um integrante da equipe abandonou a prova sem avisar, sobrecarregando outro integrante…
Eu pensei; como assim? Deixar a equipe na mão? Eu fiquei brava e disse para o meu pai: Pai, ano que vem eu farei parte da sua equipe! Ele olhou para mim e disse: será ótimo, mas comece a treinar.
Sabe aquele instante que você sente, é algo inexplicável… você só SENTE? Aquele momento mudou a MARIA para sempre. Então, é para começar a treinar? E como se começa a correr? Eu pensei, simples: É só fazer uma prova de corrida.
E lá fui eu fazer a minha primeira prova de corrida. E nela eu descobri TODAS as emoções possíveis. No 1° km eu saí feliz da vida. Pensei: como correr é fácil! Que sensação incrível.
No 2° km eu estava me questionando o que estava fazendo ali e que ideia maluca de correr foi essa!? No 3° km eu não via a hora daquela tortura terminar e estava duvidando da organização da prova se tinha mesmo 5km.
E quando avistei o 4° km pensei: UFA e ainda bem que eu estou chegando. E quando eu passei a linha de chegada, algo mudou… eu queria experimentar essa sensação de novo! E descobri o quanto correr me deixava FELIZ.
Assim que comecei a correr e nunca mais parei.

Maria no Esporte: das sapatilhas de ballet, a lycra da ginástica ao tênis de corrida.

RUNNERS BRASIL: É verdade que teve uma passagem pelo ballet e ginástica artística?
MARIA MÁTOS: Eu comecei no Ballet aos 3 anos com um sonho de ser a primeira bailarina do Royal Ballet, e parei de dançar aos 23 anos quando a minha agenda virou de gente grande e o trabalho exigiu mais de mim.
O Ballet me deu muita resistência, resiliência e me fez conhecer o mundo. O meu condicionamento físico vem da prática do Ballet e da ginástica artística no ensino médio e na universidade.

7 Maratonas em 7 Continentes

RRB: Você foi a primeira brasileira a completar 7 maratonas nos 7 continentes, como nasceu esse sonho? E qual foi o maior desafio que enfrentou ao longo dessa jornada?
MM: Em 2012, eu fiz a minha primeira maratona no deserto do Atacama no Chile. E após a prova, eu estava jantando com o meu marido quando conhecemos o Tadeu, ele havia completado o feito de 7 maratonas em 7 continentes e contou as aventuras das provas, mostrou as fotos e as experiências vividas. E aí pronto, foi ali que nasceu um sonho: correr 7 maratonas em 7 continentes.

RRB: Você começou o desafio dos 7 continentes em 2012 e concluiu em 2015, com a Maratona da Antártida. Como foi correr em um ambiente tão extremo? O que essa prova te ensinou como atleta e como pessoa?
MM: Quando comecei o desafio dos 7 continentes em 2012, escutei de muita gente“Vai correr onde? Na Antártida?”
“Isso é possível.”
“Você é louca.”
Mas eu nunca fui movida pelo que é fácil, fui movida pelo que me faz sentir viva.
Em 2015, eu pisei na Antártida e concluí a última das sete maratonas. Foi uma realização de um sonho. E ali eu vivi dias INCRÍVEIS e memoráveis. Eu nunca havia visto tanta neve, sem a presença de nenhum animal, com muito vento, uma temperatura no verão de – 25 °C e o um silêncio indescritível.
Correr naquele ambiente extremo me ensinou que o impossível só existe até alguém ousar tentar.
“Aprendi que a maior prova não é contra o frio, o vento ou o tempo, é contra a dúvida dos outros e da nossa própria mente”, conta Maria.

Antártida

Na Antártida, eu descobri uma versão minha que o impossível é uma questão de opinião porque quando você realmente quer algo vira POSSÍVEL.
RRB: Correu em países tão distintos como China, Marrocos, Holanda, Brasil, EUA e até no gelo da Antártida. Qual foi a prova mais difícil e qual a mais emocionante?
MM: A prova mais difícil foi a maratona de Marrakech foi a que sofri igual gente grande. Eu quis desistir inúmeras vezes.
Eu tomei um café para aquecer o corpo antes da largada ( porque lá o clima é de deserto – frio pela manhã e um calor ao longo do dia.) Esse café não desceu muito bem e durante a prova eu passei mal, senti arrepios, foi quando eu sentei no meu fio no km 35 e desisti. Nesse momento eu percebi o quanto a corrida é um esporte individual com mais senso de coletividade.
“Um corredor italiano estava passando e me levantou e segurou na minha mão até a linha de chegada. Ele falava sem parar: Andiamo ragazza! Andiamo ragazza!” – Maria Mátos

Uma prova que recomendo fazer é a Muralha da China. Você se questiona o quanto aquela obra prima resistiu ao tempo e as guerras.
RRB: Além disso, você fechou a Mandala das World Marathon Majors. Como foi essa jornada? Qual dessas provas te marcou mais e por quê?
MM: Quando eu terminei o meu SONHO das 7 maratonas em 7 continentes eu havia corrido algumas majors. E foi natural a busca de complementar a Mandala e buscar um novo sonho! A prova que mais me marcou foi a Maratona de Boston em 2023 porque eu tentei o índice de 2015 até 2022 com o desafio da maternidade, consultório e a pandemia.

RRB: Você correu a Maratona de Boston três vezes — uma prova com tanta tradição e exigência. O que essa maratona representa para você? E como foi repetir essa experiência em diferentes anos?
A Maratona de Boston não é fácil, por isso, ela me fascina tanto.
Eu vou explicar o porquê: é a única maratona que exige um índice técnico, revisando constantemente, que varia de acordo com o gênero e faixa etária. Para alcançar o índice você tem combinar vários fatores no mesmo dia: o sono, o clima, a alimentação, a hidratação, a altimetria perfeita e ser o seu dia.

Ultramaratonista

RRB: Entre tantas maratonas, o que te motivou a dar o passo (ou os muitos passos) a mais e correr uma ultramaratona de 133 km? Como foi essa preparação física e mental?
MM: Nunca foi a minha intenção passar de 42 km… nunca! Essa prova, caiu no meu colo como um desafio. Seria uma prova de 24h e não tinha participação feminina na categoria solo. E quando me falaram que não tinha nenhuma inscrição feminina foi um combustível perfeito para a minha inscrição.
Eu perguntei para o meu técnico se eu poderia fazer, ele disse pode mas a cada 3h você para e descansa uma 1h. Eu estava tão bem que parei em 3 momentos nas 24h cruzando em 3° lugar geral e em 1° lugar feminino (competindo comigo mesma).

RRB: Como conciliar tantos desafios com a familia e vida social?
MM: Eu vou contar um segredo: Eu treino cedo para não ter nada ou nenhuma desculpas para NÃO treinar. Eu me priorizo primeiro e ao longo do dia eu encaixo a maternidade, os afazeres da casa e o trabalho.

RRB: Você também é formada em educação física, ainda atua na área?
MM: Sim e não. Eu atuou na educação física ensinando aos meus pacientes e seguidores
exercícios de alongamento, mobilidade e educativos.

RRB: Em que suas profissões e estudos te chegar e conquistar tantas coisas?
MM: Eu falo: que a minha profissão é REALIZAR SONHOS.
Quando o paciente chega até a mim, ele confia o tempo, o índice, o mundial e o pódio na minha experiência profissional e eu embarco nesse sonho como fosse meu.

Maria Nutricionista

RRB: Como nutricionista, qual sua filosofia em relação à alimentação e corrida? O que nunca pode faltar na sua rotina alimentar?
MM: A alimentação ideal precisa ser real e possível de ser feita diariamente. O que nunca pode falta na minha rotina alimentar é o café da manhã, para mim é a melhor refeição.

RRB: Quais são os maiores erros que você vê os corredores cometendo quando se trata de alimentação — seja em treinos ou provas?
MM: Na minha experiência, vejo 3 erros que se repetem muito entre corredores e que podem custar energia, performance e até a prova.

Treinar ou correr acima de 60 minutos sem reposição de energia.
O corpo precisa de glicogênio para manter o ritmo.
Se o estoque acaba, vem a fadiga, tontura e queda de desempenho.
Solução: Em treinos/provas acima de 60 minutos, use fontes de carboidrato como gel, bala de goma, rapadura ou isotônico, sempre com água para facilitar a absorção.

Esquecer da hidratação e dos eletrólitos
Beber só água em provas longas pode causar desequilíbrio de sais minerais e aí vêm câimbras e mal-estar.
Solução: Alterne água e soluções com eletrólitos (como sódio, potássio e magnésio) para manter a contração muscular e evitar desidratação.

Usar o gel de cafeína no momento errado
A cafeína é um aliado potente para disposição, mas pode ter efeitos colaterais se usada cedo demais: desidratação, efeito laxante ou câimbras.
Solução: Guarde para o sprint final! O ideal é usar faltando cerca de 5 km para o fim, já que seu efeito começa entre 15 e 20 minutos.

RRB: Existe alguma estratégia nutricional que você considera essencial em treinos longos e maratonas?
MM: Sim. Alimentos e suplementos que reforcem a imunidade.
Quando você se esforça além do limite, seu corpo libera cortisol e adrenalina.
Pico de estresse + inflamação + microlesões + imunidade em queda = uma janela aberta pra vírus e bactérias entrarem.
A ciência já chama isso de:
“Open Window”
Uma janela imunológica que se abre por até 72 horas após esforço intenso.

O que pode ajudar:
• Vitamina D regulando sua resposta imune.
• Creatina protegendo seu intestino (que é seu maior órgão imunológico)
• Ômega-3 e polifenóis combatendo inflamações silenciosas
• E claro: recuperação ativa + sono real + nutrição personalizada.

RRB: Em relação à suplementação, o que você realmente usa e recomenda? E o que você acredita que é mito?
MM: O que eu uso e recomendo para todo corredor de rua, eu sempre indico o Ômega 3, desde que seja livre de metais pesados e em embalagem escura (para proteger da oxidação). É um potente anti-inflamatório natural, que ajuda na recuperação muscular, saúde cardiovascular e lubrificação articular.
O que eu considero mito é a ideia de que “todo corredor precisa usar BCAA” para ter resultado. Na prática, se a alimentação já é equilibrada em proteínas, o BCAA não traz benefícios extras é mais marketing do que ciência.

RRB: Você pode compartilhar uma ou duas dicas ou receitas práticas, saborosas e funcionais para corredores? Algo que faça parte da sua rotina?
MM: Uma dica: o melhor isotônico natural é a água de coco natural… mas se você não gosta ou tem alergia a água de coco tenho uma receita que adoro sugerir, que é de um isotônico natural.
Por que não consumir isotônicos industrializados? Porque compromete a saúde com seus ingredientes tais como: corantes, açúcares e aromatizantes
Receita de um isotônico natural
250 ml de suco de laranja natural
01 colher de sopa (10g) de melado cana
01 grama de sal (sachê de restaurante)
Gelo a vontade
Coloque os ingredientes em uma garrafa escura para
preservar o sabor e a qualidade nutricional do isotônico.
Agite.
Validade de 8h na garrafa escura e 4h em garrafa clara.

@nutricorrida: além da nutrição

RRB: No Instagram, você compartilha conteúdo muito valioso com o @nutricorrida. O que te motiva a manter esse trabalho nas redes sociais? Já teve algum feedback marcante de seguidor(a) que te emocionou
MM: O que me motiva a manter o trabalho nas redes sociais é saber que cada conteúdo pode impactar positivamente a jornada de alguém na corrida e na saúde. É gratificante demais ver que, por meio de dicas, orientações e incentivo, consigo contribuir para que corredores alcancem seus objetivos com mais consciência e saúde.

Já recebi muitos feedbacks marcantes, mas alguns me emocionaram profundamente — como mensagens de atletas que conseguiram bater suas metas em maratonas, alcançando tempos que nem imaginavam, ou que optaram por cuidar da alimentação ao invés de recorrer a atalhos prejudiciais. Esses relatos me mostram que o meu trabalho vai muito além da nutrição: é sobre transformar vidas, um passo de cada vez.

RRB: Existe algum alimento “não tão saudável” que você adora e que não abre mão? Afinal, equilíbrio também faz parte, né?
MM: Não tenho… e é verdade. Quem me conhece sabe que o meu estilo de vida é o que eu prego na alimentação.
O que faz o meu olho brilhar é um bolo que é saudável mais tem açúcar, é o de abacaxi e coco do Quituteces. Quando eu estou em época de treino para Maratona eu fico 100 dias SEM comer esse bolo.

RRB: Você tem algum ritual pré-prova ou mantra que repete nos momentos mais difíceis da corrida?
MM: Eu tenho uma frase que repito nos momentos difíceis:
“Não pare até se orgulhar”.
Se eu parar aqui eu vou ficar feliz? Se eu parar aqui eu vou me arrepender de não ter continuado?

RRB: Se pudesse reviver uma única prova da sua vida, qual seria — e por quê?
MM: A maratona da Antártida. Não basta só querer correr 42 km e 195 m em um terreno tão inóspito. Você precisa se organizar financeiramente, treinar religiosamente, obter o material (que não tem no Brasil e treinar com ele), e deixar a família em alerta, porque essa prova tem um risco de vida. O pouso do avião é uma pista de gelo e o risco do impacto é grande.

RRB: O que é a corrida para você?
MM: A corrida é o lugar onde eu me encontro, me supero e me lembro que sou capaz de tudo.

RRB: O que é a vida para você?
MM: O AGORA

RRB: O que espera do futuro? Aonde vc que chegar e estar em 10 anos?
MM: Eu quero está correndo e vivendo a minha melhor versão.

RRB: Alguma corrida ou projeto meta nesse momento?
MM: Eu tenho um objetivo agora que é diminuir o meu tempo na distância de 5km.

RRB: Uma frase, pensamento ou propósito?
MM: Não comece a correr…porque você irá querer correr até na Antártida.

RRB: Por fim, qual conselho você daria para quem está começando agora na corrida e quer conciliar alimentação, rotina e sonhos grandes?
MM: O simples bem feito funciona e é INCRÍVEL.
Eu tenho 5 dicas para você que está começando.
Dica número 1:
Não corra todos os dias… eu sei que correr vicia mas é necessário intercalar os treinos de força ( musculação) para evitar lesões e permanecer na corrida por mais tempo.
Respeite o dia de descanso.

Dica número 2:
Beba água .
Porque o nosso corpo é composto por mais que 60% desse líquido.
A água é o melhor transporte de toxinas ( coisas que fazem mal ao nosso corpo ) , hidrata o organismo e regula a temperatura do corpo.

Dica número 3:
Reserve o horário do seu treino.
De preferência pela manhã, porque regula o horário do seu sono, evita tanta exposição solar, auxilia na perda de peso e aumenta a disposição.

Dica número 4:
Marque uma prova alvo e programa se.
Faça um planejamento detalhado de tudo que você precisará para alcançar a sua medalha. E concentre-se nela.

Dica número 5:
Procure uma assessoria ou um profissional que cuide da sua evolução na corrida.
E conviva com pessoas mais fortes que você.
Como algumas coisas em nossa rotina, só precisam ser simples e atender as nossas expectativas porque o simples bem feito funciona muito bem.

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Dani Christoffer

Dani Christoffer

Editora Runners Brasil e Jornalista (Time Runners)

Jornalista Periodista • Maratonista VIVÍ MEJOR @ellitoral Editora-chefe Revista Runners Brasil