Treinar não é só correr. Quando falamos em performance, principalmente no ciclo de preparação
para provas mais exigentes, a alimentação se torna uma peça estratégica do planejamento — tão
importante quanto o descanso, o fortalecimento e o controle de carga.
No mês do Nutricionista, celebrado em 31 de agosto, é essencial lembrar que comida também é
treino. E que ignorar esse aspecto pode custar caro — em rendimento, recuperação e até em
segurança.
Alimentação como parte do processo de treino
Em treinos intensos ou longos, o corpo precisa de energia constante para manter o desempenho e preservar a integridade muscular e neurológica. Mais do que “comer certo”, o corredor precisa
aprender quando, como e com o quê abastecer seu corpo — e isso é algo que se desenvolve ao
longo do processo.
Do ponto de vista do treinador, isso significa alinhar os estímulos físicos com o que o atleta
consegue sustentar nutricionalmente. Fazer treinos longos ou intensos sem se alimentar
adequadamente é um erro comum, que pode afetar tanto o desempenho quanto a saúde.
Provas longas: o desafio de se alimentar em movimento
Quem já correu uma meia, uma maratona ou uma prova de montanha sabe: comer durante a prova nem sempre é simples. Enjoos, textura dos alimentos, paladar alterado, dificuldade de digestão… tudo pode interferir.
Por isso, não basta saber o que funciona no papel — é preciso treinar o estômago. A ingestão de
alimentos ou suplementos durante o esforço precisa ser testada e adaptada ao longo da
preparação, preferencialmente em treinos específicos, simulando as condições da prova.
Não existe estratégia alimentar eficiente sem treino prévio.
Individualidade acima de modismos
Outro ponto que deve ser reforçado pelo treinador: não existe uma única abordagem alimentar que sirva para todos os atletas. Cada pessoa tem tolerâncias, preferências e respostas fisiológicas diferentes. O que funciona para um corredor pode ser desastroso para outro.
Cabe ao treinador, junto da nutricionista, orientar o atleta a respeitar essa individualidade e evitar
copiar protocolos prontos de colegas ou redes sociais. O que se come, quando se come e como se come deve ser parte do planejamento.
Consistência: a chave invisível da performance
Por fim, assim como nos treinos, o segredo está na regularidade. Não adianta cuidar da
alimentação apenas na semana da prova. Comer bem — no sentido funcional, ajustado e
consciente — precisa fazer parte da rotina de quem busca performance.
Treinar com qualidade exige energia, recuperação e estratégia. E isso começa fora da pista, do
asfalto ou da trilha

