Nutrição Esportiva

Nutrição esportiva, o combustível que sustenta a corrida

O que comer antes, durante e depois do treino para correr melhor, recuperar mais rápido e manter constância

Por: Ana Kist Edição 52 - agosto 2025
Nutrição esportiva, o combustível que sustenta a corrida

E aí, Runners!

Bora que agosto chegou, e com ele uma oportunidade especial de falarmos sobre um dos pilares mais estratégicos para quem corre: a nutrição esportiva. E por que agora? Porque no dia 31 celebramos o Dia do Nutricionista, profissional que atua (muitas vezes nos bastidores) para que cada treino e prova aconteçam com mais energia, saúde e eficiência.

Para nós corredores, amadores ou profissionais, a alimentação vai muito além do simples ato de comer. Ela influencia diretamente no rendimento, na recuperação e até mesmo na constância dos treinos. Afinal, de que adianta correr bem hoje e ficar quebrado por dias?!

A nutrição adequada deve ser planejada com o mesmo cuidado que dedicamos à nossa planilha de treinos.

Você treina, corre, se desafia, mas será que está comendo de acordo com os seus objetivos? A alimentação deve ser pensada como combustível: a qualidade e o tempo em que ele é colocado “no tanque” fazem toda a diferença no desempenho, acredite!

Algumas verdades já são bem conhecidas por quem vive o universo da corrida e eu já trouxe diversas vezes aqui:

● Carboidratos são a principal fonte de energia para atividades de resistência.
● Proteínas são fundamentais para uma recuperação muscular eficiente no pós-treino.

Mas o que realmente diferencia um plano nutricional eficiente é o timing, a qualidade e a quantidade dos nutrientes, ajustados ao seu corpo, sua rotina e seus objetivos.

Vamos ao antes, durante e depois: o que comer em cada fase da corrida

Antes do treino ou prova

Aqui, o foco deve ser energia rápida e digestibilidade. A ideia é consumir carboidratos de fácil absorção e evitar proteínas, excesso de fibras e gorduras que possam retardar o esvaziamento gástrico e causar desconfortos.

Idealmente, a refeição pré-treino deve ocorrer de 1h a 2h antes da atividade.

Exemplos práticos:
* Pão com geleia
* Banana com mel
* Tapioca com banana
* Suco de fruta + fonte sólida de carboidrato

Durante a corrida, o intra-treino

Se a prova ou treino tiver mais de 60 minutos, é importante pensar em reposição de carboidratos para manter os níveis de glicose no sangue e retardar a fadiga.

Fontes indicadas:
* Géis de carboidrato
* Bebidas esportivas com eletrólitos
* Frutas secas (uva-passa, tâmara, banana-passa)

A recomendação varia:
● De 30 a 60g de carboidrato/hora em exercícios de 1 a 2h30
● Até 90–120g/hora para treinos/provas mais longas, como maratonas e ultras

Mas cuidado: esse aumento deve ser gradual e individualizado. É normal ter desconforto intestinal se o corpo não estiver adaptado. Isso reforça a importância de testar a estratégia nutricional nos treinos, nunca apenas no dia da prova.

Fica ligado: o carboidrato consumido durante também contribui para o processo de recuperação muscular, otimizando o rendimento do pós-treino.

Após o esforço: recuperação eficiente
Esse é o momento de repor estoques de energia e reparar os músculos. A refeição deve incluir carboidratos + proteínas e, idealmente, ser feita em até 2 horas após o término do exercício.

Opções práticas de recuperação:
* Smoothie com frutas vermelhas e whey protein
* Iogurte proteico com aveia e mel
* Sanduíche de pão integral com ovos mexidos
* Bowl de açaí com granola e whey

Lembrando que hidratação, sono e descanso também fazem parte da recuperação completa. Nenhum alimento sozinho fará milagres, mas a combinação estratégica sim.

Bônus: e os polifenóis, ajudam mesmo na performance?

São compostos bioativos conhecidos por suas potentes ações antioxidantes, anti-inflamatórias e vasodilatadoras, o que os torna particularmente benéficos para atletas de endurance, como maratonistas.

Redução do estresse oxidativo: Durante treinos e provas longas, há uma grande produção de radicais livres. Os polifenóis ajudam a neutralizar esses compostos, protegendo células musculares e favorecendo a recuperação.

Ação anti-inflamatória: Atuam na modulação da inflamação induzida pelo exercício intenso e prolongado. Contribuem para a redução de dores musculares e tempo de recuperação.

Melhora da função vascular: Alguns polifenóis, como os presentes no suco de beterraba, chá verde e cacau, promovem aumento da biodisponibilidade de óxido nítrico, favorecendo a vasodilatação e o fluxo sanguíneo muscular, o que pode melhorar a entrega de oxigênio e nutrientes durante a corrida.

Apoio imunológico:

Ajuda a prevenir quedas de imunidade comuns em atletas após treinos extenuantes.

Melhora do desempenho físico:

Estudos indicam que a suplementação ou ingestão regular de alimentos ricos em polifenóis pode contribuir com pequenos ganhos de performance, principalmente pela melhora da eficiência mitocondrial e menor percepção de fadiga.

Fontes alimentares:
Frutas vermelhas (morango, amora, mirtilo)
Uvas roxas e suco de uva 100% integral
Cacau puro ou chocolate 70%
Chá verde ou chá preto
Cúrcuma (com pimenta-preta para melhor absorção)
Beterraba
Azeite de oliva extravirgem
Café (com moderação)

Nutrição é estratégia, não improviso

Agosto é mês de valorizar a ciência por trás da performance. O nutricionista esportivo é quem conecta seu esforço físico com resultados sustentáveis, saudáveis e alinhados aos seus objetivos pessoais.

Na corrida, não existe atalho, mas existe caminho. E esse caminho é trilhado com treino, disciplina e uma boa alimentação.

Bora correr com inteligência? O prato certo, na hora certa, pode ser o seu melhor pace.

Nos vemos correndo por aí!

Um beijo da nutri 😉

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Ana Kist

Ana Kist

Nutricionista (Time Runners)

Nutricionista