Além da Corrida

Encerrando o Ano: São Silvestre e Outros Desafios com a Mente Leve

Preparar a mente para viver a São Silvestre com leveza e significado

Por: Marjorie Barcelos Edição 56 - dezembro 2025
Encerrando o Ano: São Silvestre e Outros Desafios com a Mente Leve

Dezembro sempre chega trazendo aquela mistura de correria, festa, calor, retrospectiva e claro corrida! E neste ano, com a 100ª São Silvestre, a energia fica ainda mais especial. É impossível não sentir o clima de expectativa no ar: a vontade de fechar o ano bem, a ansiedade boa da prova e aquele friozinho na barriga que surge só de imaginar a avenida tomada por corredores. Mas, antes de pensar na famosa subida da Brigadeiro, vale lembrar que o corpo corre, sim mas a mente corre junto. E justamente por isso o preparo emocional faz tanta diferença nessa reta final.

Os últimos dias antes da prova são um convite ao equilíbrio. Nada de inventar treinos malucos ou tentar recuperar em uma semana o que não foi feito no ano inteiro. Agora é hora de respirar, manter a mente tranquila e aceitar que o foco é desacelerar por dentro para voar no dia 31. Como psicóloga esportiva, sempre digo que dezembro é o momento perfeito para ativar o “tapering psicológico”: visualizar a prova, imaginar as sensações positivas e até criar mantras divertidos que ajudam a segurar o ritmo e manter a cabeça no lugar coisas simples como “um quilômetro de cada vez” ou “Brigadeiro não me assusta”. Funciona mais do que muita gente imagina.

A São Silvestre é uma experiência sensorial: calor, torcida, música, fantasias, barulho, emoção. Tudo isso pode impulsionar ou atrapalhar, dependendo de como a cabeça filtra. Por isso, entrar na prova com leveza faz toda a diferença. É permitir que a empolgação exista, mas sem deixar que ela te faça largar forte demais. É rir das fantasias, agradecer a energia da galera e, ao mesmo tempo, manter consciência da respiração e do próprio corpo. O ambiente é uma festa, mas a estratégia ainda importa e a psicologia também.

E quando o relógio estiver quase virando, quando você cruzar a linha de chegada com aquela sensação deliciosa de dever cumprido, aí sim começa a parte mais importante: o significado. Encerrar o ano com uma corrida tão simbólica é quase um ritual. Você olha para trás, percebe tudo que viveu nos últimos meses e entende que cada treino, cada pausa, cada esforço e até cada fracasso contribuíram para chegar ali. É sobre fechar um ciclo com consciência, e não com cobrança.

Depois disso, sim, dá pra pensar em 2026 com calma. Metas novas, provas novas, sonhos novos mas sempre com leveza. A vida já tem intensidade demais; o esporte pode ser seu ponto de respiro. Planeje, sonhe, organize-se… mas aproveite. A corrida não precisa ser só performance. Ela pode (e deve) ser prazer, bem-estar e saúde emocional.

A 100ª São Silvestre é histórica, mas o que realmente importa é o que ela significa para você. Que este 31 de dezembro seja cheio de presença, força mental e aquela alegria simples de quem corre porque ama correr. E que 2026 venha com mais quilômetros, mais equilíbrio e cada vez mais motivos para sorrir enquanto avança.

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Marjorie Barcelos

Marjorie Barcelos

Psicóloga Esportiva (Time Runners)

Psicóloga esportiva