Fala RUNNERS, estamos on por aqui!!
Por que você não corre do mesmo jeito no km 5 e no km 35 e o que fazer sobre isso?
O início é leve, mas o final cobra seu preço
Todo corredor que já encarou uma maratona sabe: existe uma grande diferença entre correr nos primeiros quilômetros e tentar manter o ritmo depois dos 30 km. O corpo ainda está ali, mas algo mudou. A passada já não é a mesma, a postura começa a “desmontar” e até respirar parece mais difícil. Isso não é só impressão é ciência.
A fadiga, que nada mais é do que o cansaço acumulado do corpo, afeta diretamente a forma como você se move. E essa mudança na mecânica da corrida pode ser a diferença entre terminar forte ou arrastar-se até a linha de chegada.
Nos primeiros quilômetros, seu corpo trabalha de forma eficiente: músculos bem coordenados, boa postura e impacto controlado. Mas conforme o tempo passa, a capacidade dos músculos de gerar força diminui. Isso acontece por fatores como esgotamento de energia, acúmulo de subprodutos metabólicos e até sinais do sistema nervoso ficando menos eficientes.
O que a ciência mostra:
Estudos em corredores de longa distância indicam que, após cerca de 25–30 km, há uma redução significativa na força muscular especialmente nos músculos das pernas, como quadríceps e panturrilhas. Isso leva a mudanças perceptíveis na forma de correr.
E essas mudanças não são apenas detalhes técnicos elas impactam diretamente seu desempenho e risco de lesão.
O que muda na sua corrida quando você está cansado
À medida que a fadiga aumenta, seu corpo começa a “improvisar”. Ele tenta continuar correndo, mas com menos eficiência. Algumas mudanças comuns incluem:
Passadas mais curtas e lentas
Você começa a perder potência. Como resultado, a passada encurta e a cadência pode cair. É o corpo tentando economizar energia.
Maior tempo de contato com o solo
Se no início você “flutuava”, agora parece que está grudando no chão. Isso aumenta o esforço necessário a cada passo.
Postura mais curvada
O tronco tende a inclinar para frente ou “afundar”. Isso sobrecarrega a lombar e reduz a eficiência respiratória.
Aterrissagem mais pesada
A absorção de impacto piora. O impacto nas articulações aumenta, principalmente nos joelhos.
Evidência científica simplificada:
Pesquisas com análise de movimento mostram que corredores fatigados apresentam maior oscilação vertical (sobem e descem mais) e menor rigidez muscular. Em termos simples: você gasta mais energia para ir menos para frente.
Outro ponto importante: o cérebro também entra no jogo.
Existe um mecanismo de “proteção” que reduz a intensidade do esforço para evitar danos maiores ao corpo. Ou seja, não é só o músculo que cansa sua percepção de esforço também muda.
Como minimizar esses efeitos e correr melhor até o fim
A boa notícia é que, embora a fadiga seja inevitável em uma maratona, seus efeitos podem ser controlados.
Treine para o final da prova, não só para o início
Longões progressivos (terminando mais rápido) ajudam o corpo a se adaptar a correr cansado.
Fortalecimento é essencial
Músculos mais fortes resistem melhor à fadiga. Treinos de força para pernas e core ajudam a manter a mecânica por mais tempo.
O que dizem os estudos:
Programas de treinamento de força mostram melhora na economia de corrida e menor degradação da técnica em provas longas.
Cuide da sua postura conscientemente
Nos quilômetros finais, tente “reajustar” sua postura:
- Olhar para frente
- Ombros relaxados
- Tronco levemente inclinado (sem “desabar”)
Nutrição e hidratação fazem diferença real
A queda de energia acelera a fadiga mecânica. Consumir carboidratos durante a prova ajuda a manter o desempenho muscular.
Ritmo inteligente desde o começo
Sair rápido demais é o maior erro. Um ritmo bem controlado preserva sua mecânica por mais tempo.
Correr bem é resistir à queda da técnica
A maratona não é apenas um teste de resistência cardiovascular é um teste de quanto tempo você consegue manter uma boa mecânica sob fadiga. Os melhores corredores não são aqueles que não cansam, mas aqueles que conseguem cansar sem desmontar.
Entender como seu corpo muda ao longo da prova é o primeiro passo para correr melhor. O segundo é treinar com isso em mente.
Porque no fim das contas, a maratona começa quando o corpo quer parar e a técnica começa a ir embora.
Boa corrida para vocês, do km 1 ao 42.
Até mais RUNNERS….

