Outro dia comentei com um amigo que já corri maratona, levando, em média, 4 horas para completar.
A reação dele foi imediata: “4 horas? Eu teria criado uma empresa enquanto você corre; é muito tempo pra pensar em nada.”
Mal sabe ele que, ao longo dos 42km, pensamos em tanta coisa, refletimos, oramos, agradecemos, conversamos (dependendo do ritmo e do momento).
Para quem não vive a corrida, pode parecer irracional: sofrer voluntariamente, investindo tempo e dinheiro. Mas se você está aqui, é porque sabe o quanto a corrida ensina.
Hoje vamos conversar sobre como correr uma maratona muda sua relação com a corrida, para o bem ou não.
Sim, sem a preparação adequada, sem alguma experiência no esporte, muitas pessoas vivem um ciclo pesado, chegando a criar trauma com a distância, até mesmo com a própria corrida.
Se você perguntar a quem decidiu correr seus primeiros 42km em 2026: o que te motivou?
Terá algumas respostas interessantes.
Tudo começa por uma razão
Alguns dizem que é pelo desafio, outros porque se emocionaram ao ver a chegada de uma maratona. Talvez por terem feito uma promessa, por desejarem ter mais disciplina ou mudarem de carreira.
O fato é que, ao conversar com centenas de corredores, é raro alguém acordar e decidir correr 42km, apenas por correr, sem uma motivação.
Esporte individual mais coletivo que existe: nos 42km você sente isso na pele
Alguns corredores fazem a preparação sem parceiros de treino ou companhia frequente, por diversas razões.
Mesmo com o suporte, apoio ou incentivo de uma assessoria ou amigos, o ciclo é feito de forma solitária, você e seus pensamentos. Nesses casos, cada treino longo é oportunidade de reflexão profunda, contemplação e aprendizado.
Mas ainda assim, esse corredor ou corredora vai receber incentivo, água, motivação, de desconhecidos, ao longo de cada treino.
Até a prova são muitas emoções, autoconhecimento, físico e mental.
Você não sai a mesma pessoa depois de um ciclo de maratona.
E a maior transformação é mental e emocional.
A tendência é o corredor ou corredora entender melhor o seu corpo, suas reações, ritmo, além de aumentar o próprio condicionamento físico.
Claro, nem tudo são flores, há algumas pedras no meio do caminho. Aquele longo que você fez estressado, passando mal ou simplemente sem estar 100%.
Se isso aconteceu contigo, fique tranquilo, cada treino é um treino. Não se cobre tanto, se recupere e depois avalie, junto com o treinador ou treinadora, o que pode ser feito diferente no próximo treino.
O corpo precisa ser bem treinado, mas a mente e o emocional também, já que, ao longo dos 42km vivermos uma montanha-russa de sentimentos.
Vou te dar um exemplo que testemunhei:
“Nos primeiros 10 km estava me sentindo bem, ritmo encaixado. Me empolguei e acelerei, por isso nos 21km senti cansaço, uma fadiga estranha”.
Esse é um relato de um amigo corredor, que errou na dose, mas persistiu, suplementou e se recuperou a tempo de ultrapassar o muro dos 32 km.
Tudo que vivemos nesse período, desde o primeiro treino até a prova, carregamos para nossa vida.
A corrida é um construção, aprendizado e, principalmente, autoconhecimento, em todos os sentidos.
Por isso, quando você se prepara e corre os 42km, muda completamente sua relação com corrida.
Você conhece um corredor ou corredora que precisa ouvir isso também? Envia o link da revista e fala o quanto você curtiu!
Corrida, mais que um esporte, um MBA de experiência de vida.

