Nutrição Esportiva

Treinos leves, escolhas inteligentes: A Nutrição por trás da corrida consistente

Por: Ana Kist Edição 59 - março 2026
Treinos leves, escolhas inteligentes: A Nutrição por trás da corrida consistente

Fala, galera!

Mais um mês começando e, com ele, mais alguns quilômetros pela frente.

Março costuma ser aquele momento em que a empolgação do começo do ano já

passou, a rotina de treinos está mais encaixada e começa a surgir a pergunta que todo

corredor faz em algum momento: como evoluir sem exagerar ou se perder no

caminho? 

A verdade é que correr melhor não significa apenas correr mais. Significa entender o

próprio corpo, respeitar os estímulos do treino e usar a alimentação como parte da

estratégia.

A corrida amadora mudou muito nos últimos anos. Hoje, quem evolui não é só quem

acumula quilômetros, mas quem aprende a treinar com inteligência: ajustar

intensidade, observar sinais do corpo e fazer escolhas alimentares que realmente

ajudem na adaptação ao treino.

E é exatamente sobre isso que vamos falar neste mês: como aplicar mais estratégia e

menos pressa, na rotina de corrida.

Porque no fim das contas, o corredor que vai mais longe não é o que faz tudo no impulso,

mas o que aprende a pensar enquanto corre. E ser um corredor inteligente significa

aplicar estratégia também na alimentação. Não se trata de dietas rígidas ou

suplementos milagrosos, mas de usar a nutrição para potencializar o treino.

 

Como montar uma estratégia alimentar inteligente para treinos leves e

moderados

Não é novidade que nem todo treino pede a mesma estratégia nutricional. A alimentação

que sustenta um treino longo ou intervalado não precisa ser a mesma utilizada em dias

de rodagem leve ou treinos moderados.

Quando o objetivo da sessão é manter ritmo confortável, desenvolver base aeróbica ou

simplesmente acumular quilômetros com controle (volume), a nutrição pode e deve

acompanhar essa lógica.

 

A ideia central é simples: coerência entre estímulo e alimentação. 

Treinos leves e moderados costumam exigir energia disponível, mas não uma

preparação alimentar complexa. Uma refeição simples, com presença de carboidrato,

já costuma ser suficiente para sustentar o esforço e evitar queda de rendimento ao longo

do treino.

Diretrizes do American College of Sports Medicine reforçam que o corpo responde

melhor ao exercício quando chega ao treino com disponibilidade energética adequada,

mesmo em sessões que não são intensas.

Isso significa evitar dois extremos relativamente comuns na corrida recreativa:

  • iniciar o treino com ingestão alimentar insuficiente
  • exagerar em estratégias pensadas para provas ou treinos muito intensos

Na prática, muitas vezes a estratégia mais inteligente é também a mais simples:

alimentar-se de forma regular ao longo do dia e ajustar o pré-treino de acordo com a

duração e o conforto digestivo.

É simples: treinar bem começa antes do primeiro quilômetro, começa nas escolhas

feitas algumas horas antes.

A quantidade de carboidrato necessária na alimentação também depende da

intensidade e do volume do treino. E de acordo com o ACSM, a ingestão diária pode

variar conforme o nível de atividade, por exemplo:

  • exercícios leves: cerca de 3–5 g/kg/dia
  • exercícios moderados (~1 h/dia): cerca de 5–7 g/kg/dia

Para atingir essas recomendações, muitas vezes não é necessário recorrer a estratégias

complexas ou suplementos. Uma alimentação simples e equilibrada ao longo do dia já

costuma fornecer a quantidade adequada de carboidratos para esse tipo de treino.

Exemplos incluem:

Café da manhã: pão, acompanhado de ovos e queijos + uma porção de frutas com aveia

Almoço: arroz, feijão, legumes e uma fonte de proteína.

Lanche da tarde: combinar carboidrato e proteína, como iogurte com frutas, whey e

granola, ou opções salgadas como bolinhos de frango com cottage.

Dica de ouro para o lanche da tarde: o ideal é manter a combinação de carboidrato +

proteína, que ajuda a fornecer energia de forma mais estável e evita picos rápidos de

glicemia, algo comum quando se consome apenas carboidrato isolado. Essa

combinação também contribui para melhor saciedade e suporte ao treino.

Jantar: priorizar uma refeição equilibrada com fonte de carboidrato de fácil digestão,

como arroz ou batata, acompanhada de legumes e uma fonte de proteína magra

(frango, peixe ou ovos).

Dica de ouro para o jantar: pode ser interessante reduzir ou evitar leguminosas como

o feijão nesse horário, especialmente para pessoas mais sensíveis do ponto de vista

gastrointestinal, já que podem aumentar fermentação intestinal e desconforto

digestivo próximo ao período de descanso.

Não tem segredo, certo? Alimentos tradicionais como arroz, feijão, frutas, aveia e pães

já fornecem carboidratos suficientes para sustentar treinos leves e moderados. O mais

importante é manter regularidade nas refeições e equilíbrio ao longo do dia, garantindo

energia para correr e se recuperar bem.

 

O papel dos carboidratos para quem não treina intenso 

O International Olympic Committee explica que o carboidrato continua sendo a fonte

energética predominante durante exercícios aeróbicos, mesmo em intensidade

moderada.

Quando o corredor reduz demais esse nutriente, alguns efeitos podem aparecer:

  • sensação de fadiga precoce
  • piora da qualidade do treino
  • recuperação mais lenta
  • maior percepção de esforço

Mas calma, como já dito antes, isso não significa exagerar em carboidratos. Significa

ajustar a quantidade ao nível de treinamento.

 

O erro mais comum é alternar entre dois extremos:

Fazer uma dieta muito baixa em carboidratos durante a semana e, no treino longo do

fim de semana, tentar utilizar géis ou outras fontes de carboidrato intra-treino conforme

as recomendações, prepara que vai dar ruim.

Quando o organismo não está habituado a consumir carboidratos com regularidade,

especialmente durante o exercício, a tolerância e a absorção intestinal tendem a ser

piores, aumentando o risco de desconforto gastrointestinal, náuseas ou até a

necessidade de interromper o treino para ir ao banheiro.

 

A estratégia inteligente é consistência e equilíbrio, como tudo na vida.

 

Alimentos que ajudam o corpo a responder melhor ao treino 

A nutrição esportiva moderna não olha apenas para calorias ou macronutrientes. Ela

também considera alimentos capazes de melhorar adaptação fisiológica ao

treinamento.

A International Society of Sports Nutrition destaca alguns grupos alimentares com

evidências interessantes para corredores.

Frutas ricas em antioxidantes fornecem compostos antioxidantes que ajudam a

modular o estresse oxidativo induzido pelo exercício. E isso pode favorecer

recuperação e saúde celular. 

  • Frutas vermelhas (muito prático, tem até congeladas) – morango, amora, mirtilo

framboesa.

  • Uva
  • Acerola
  • Laranja
  • Açaí
  • Kiwi
  • Romã

Alimentos ricos em nitratos naturais, que podem aumentar a produção de óxido

nítrico, melhorando eficiência vascular e economia de corrida.

Estudos mostram benefícios principalmente em exercícios aeróbicos.

  • Beterraba
  • Espinafre
  • Rúcula

E por fim, mas não menos importante, as proteínas de boa qualidade que fornecem

aminoácidos essenciais para reparo muscular.

Exemplos:

  • ovos
  • peixes
  • frango
  • laticínios

Fica a dica da nutri:

O corredor que evolui é aquele que:

  • entende seu corpo
  • respeita o ritmo de evolução
  • usa a alimentação como aliada do treinamento

Treinar com inteligência significa lembrar que a corrida não acontece apenas na pista

ou na rua. Ela também acontece no prato, na recuperação e nas escolhas diárias.

Um beeijo e nos vemos em abril!

 

Opção salgada e prática para o lanche da tarde

 

MUFFIN DE FRANGO COM QUEIJO

RENDE 4 UNIDADES

2 UNIDADES POSSUI 270KCAL

13G DE CARBO

23G DE PROTEÍNA

 

INGREDIENTES:

  • 1 ovo
  • 60g de frango desfiado
  • 2 colheres de sopa de farinha de aveia – 30g
  • 1 colher de chá de fermento químico
  • 2 fatias de queijo mussarela
  • Orégano, sal e pimenta do reino à gosto.

 

MODO DE PREPARO

  1. Misture os ovos com a farinha de aveia.
  2. Incorpore o frango desfiado.
  3. Misture o fermento por último.
  4. Distribua em forminhas de silicone e finalize com o queijo mussarela.
  5. Asse a 180 °C por 20–25 minutos.

Textura: firme por fora, úmido por dentro, não esfarela

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Ana Kist

Ana Kist

Nutricionista (Time Runners)

Nutricionista