Fala, runners! Sou a Ana Kist, formada em direito e Nutrição (bem aleatório, eu sei rs).
Também sou mãe e maratonista nas horas vagas.
Mas vamos lá, o ano iniciou, o carnaval passou e eu estarei por aqui falando com vocês sobre nutrição e performance.
Com a popularização da corrida de rua, tem surgido cada vez mais eventos esportivos em diferentes datas e locais e uma das principais razões é a própria natureza da corrida: acessível e democrática, o tal do “basta ter um par de tênis e sair por aí”.
Um belo incentivo para aqueles que estão começando! Porém, já pelo km segundo ou terceiro, percebe-se que a necessidade vai muito além do par de tênis.
CALMA, NÃO É SÓ ARRUMAR AS MALAS E PARTIR PARA A AVENTURA.
Quando o assunto é montar o calendário esportivo e isso envolve uma viagem, é necessário estar ciente de que o cenário desta prova precisa estar presente durante o ciclo de treinos. Ou seja, tudo aquilo que será posto em prática no dia da prova necessariamente precisa ser testado durante os meses que a antecedem, para que imprevistos não estraguem seus quilômetros de experiência.
ENTÃO BORA QUE O CICLO COMEÇOU!
Para auxiliá-los nessa empreitada, além do conhecimento técnico acerca dos aspectos nutricionais, trago na bagagem a experiência de cinco maratonas, sendo duas delas fora do país, (Boston e Londres) e irei ajudá-los com base nas principais dúvidas surgidas:
O CLIMA E A DESIDRATAÇÃO
Quando se fala em clima, isso não se restringe somente à temperatura ou estação do ano. O local da prova é úmido ou seco? Existe a possibilidade de variações climáticas durante o tempo de prova? São detalhes muitas vezes não pensados e tudo isso deve ser previsto.
Uma corrida quando praticada sob baixa temperatura e com clima seco faz com que o atleta não transpire, porém, a desidratação acontece mesmo assim, tornando indispensável a hidratação durante toda a viagem, independente de estar ou não com sede ou calor.
CUIDADO: A desidratação durante o treinamento ou competição pode não apenas prejudicar o desempenho do exercício, como atrasar a recuperação. Ou seja, DESIDRATAÇÃO pode arruinar sua prova!
ALIMENTAÇÃO
Como em qualquer corrida, uma alimentação adequada é de extrema importância e está diretamente ligada à performance.
Evitar longos períodos sem se alimentar. Neste caso, os industrializados (barrinhas de cereal e proteína) se tornam aliados, principalmente durante voos de longa duração. Monte um kit alimentação e leve com você.
A alimentação deve seguir o mais próximo possível do ciclo de treinos, dentro do possível, claro. Sem nóias, mas também não é hora de testar a culinária local, comida de rua ou pratos muito condimentados. Antes da prova, é somente aquele básico bem feito, que funciona e ponto. Nutricionistas esportivos já tem feito estratégias nutricionais para estes casos. Ajuda muito, acredite!
O ideal é chegar no máximo dois dias antes, assim fica mais fácil deixar a algazarra alimentar para o pós-prova!
SUPLEMENTAÇÃO
E agora, posso levar meus suplementos no avião?
A resposta é sim! Porém, quando o assunto é fazer as malas, é preciso ainda mais atenção a certos detalhes.
Toda suplementação utilizada durante o ciclo pode ser levada, mas com algumas observações: Conforme regras da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), é necessário que os suplementos estejam em suas embalagens originais e identificadas, ou seja, rótulos visíveis, facilitando a identificação e comprovação de procedência dos produtos.
É recomendável que se transporte apenas a quantidade necessária para o período. Hoje existem diversas marcas no mercado que já trabalham com suplementos em sachês de dose única, como Whey Protein e creatina, o que facilita e muito o transporte.
Costumo orientar os pacientes que levem todo o necessário para o dia da prova em bagagem de mão, evitando o risco de extravio. Suplementos em pó geralmente podem ser levados na bagagem de mão, porém, cuidado: vale ficar atendo às restrições impostas por cada companhia aérea.
DIA DA PROVA
Chegou o grande dia! Uma provável noite mal dormida e o coração saindo pela boca.
Por mais irônico que soe a dica: calma, capriche no café da manhã e atente-se ao horário e deslocamento até a largada. É válido também levar mais um pré treino para 30/45 min antes da prova.
Faça um último check em tudo aquilo que for usar durante a prova. Escrever na mão ou configurar o relógio quanto aos alertas de suplementação é sempre válido.
Por mais seguro e interessante que pareça, não é hora para testar nada novo.
E fica o alerta: É sempre muito arriscado enfrentar tais desafios sem um planejamento bem elaborado por profissionais qualificados!

