Viajar para correr provas pode parecer um sonho, até que você descobre que a viagem pode se tornar um caos, por ter se hospedado em um hotel barulhento, um tênis ressecado ou um feijão enlatado. A gente treina tanto, se prepara muito e chega no dia da largada, tudo tem que dar certo, afinal foram meses de preparação para o dia D. Eu já vivi algumas frustrações possíveis em viagens esportivas, nestes meus quase 20 anos de estrada — e sobrevivi a todas obviamente para poder estar aqui e contar. Prepare-se: aqui estão algumas das minhas histórias e lições que só se aprendem na experiência de viver o local, na dor pode contar. Seja no Brasil ou no exterior, viajar exige mais do que checklists: é uma arte de antecipar o caos e transformá-lo em história real. Reuni aqui conselhos profundos (e muitas vezes aprendidos na dor) para que você evite tragédias e aproveite cada quilômetro com mais tranquilidade e trazendo uma experiência positiva da viagem:
Documentação: O diabo mora nos detalhes
No Catar, quase fui impedido de dividir o quarto com minha esposa, por precaução li muita coisa sobre o oriente médio e o Catar e logo contatei o hotel. Nos informaram que era necessário ter a certidão de casamento traduzida (para o inglês). Sim, em pleno século XXI, um papel definiu se dormiríamos juntos. Já em Zurique na Suiça, quase perdi uma largada à meia-noite (Neujahrs Marathon Zurich) por falta de transporte — o app de mobilidade local não cobria muito bem a região inóspita à beira do rio onde era a largada. Dica essencial: Leve seus documentos traduzidos (casamento, vacinas, seguro) e confira regras culturais do destino. Digitalize absolutamente TUDO no Google Drive (incluindo comprovantes de inscrição na prova!). Contrate agências especializadas, como a Sub4 Turismo Esportivo, que tem expertise e resolvem burocracias e toda logística maluca.
Alimentação: a bomba relógio no prato
Em uma maratona na Alemanha (Berlin Marathon), comi feijão enlatado pré-prova e passei horas com dor de cabeça (obrigado, conservantes!). Em outra prova (Chicago Marathon/EUA), exagerei na água num dia quente e, no dia frio da prova, precisei parar cerca de 2x para urinar. Regra de ouro: Nada de experimentar pratos locais ou saladas 48h antes da prova. Foque no que seu corpo já conhece. Leve suplementos e carbogel extras e verifique a validade! Hidrate-se com moderação: beba por sede, não por ansiedade.
Hospedagem: Guerra contra o barulho
Já dormi em hotéis que o ar não funcionava bem ou alguns que nem tinham (e nem me atentei de ver se tinha na lista de ítens), outros que pareciam filiais de discotecas e festas, para não dizer um motel. Em uma maratona, tive que mudar de quarto e solicitar a hóspedes bêbados para fazerem silêncio. Usei meu tampão de ouvido (leve sempre alguns pares) e aí sim o sono foi obtido com sucesso pré-prova. Sobrevivência: Escolha hotéis longe de bares e peça quartos no último andar (menos ruído). Um par de tampão de ouvido, protetor auricular é item obrigatório em viagens, até para usar no voo ou ônibus. Use o Google Street View para analisar o entorno do hotel antes de reservar. Logística, quando tudo dá errado: Na Maratona de Tóquio / Japão, meu bilhete de trem não valia para linhas diretas. Resultado: 1h30 trocando de vagões, exausto pós-prova. Em Nova York/EUA, combinei com minha esposa de irmos direto do pórtico para o aeroporto — mas precisei parar em muitas estações para vomitar devido ao enjoo. Evite se hospedar distante da largada, prefira investir um pouco mais e ter a tranquilidade de acordar e estar próximo do pórtico de largada.
Equipamentos: A (quase) tragédia do tênis ressecado
No Catar (oriente médio), meu Nike AlphaFly Next% 2 estava tão ressecado que precisei colar no solado alguns pedaços de esparadrapo. Na prova, meu calcanhar virou carne viva e tive que lutar pra concluir com muita dor principalmente quando fazia curvas e mexia mais os pés. Cruzei a linha, tirei e descartei o tênis ali mesmo e voltei ao hotel descalço, sangrando. Kit Emergencial: Esparadrapo, fita adesiva, tênis reserva na mala de mão (nunca confie na sorte). Mochila é diferente de mala ou mala de mão: leve tênis, roupas de compressão e itens críticos sempre com você, prefira mochilas neste caso, pois mesmo mala de mão, as vezes a cia aérea quer despachar no embarque, mochila dificilmente.
Segurança: roubos, malas perdidas e golpes
Na França um atendente de supermercado tentou me lograr no troco, não aceitei o golpe, gritei e fiz um estardalhaço no local e foi resolvido com ajuda de outros que ali estavam presentes e notaram que se tratava de um golpe comum. Em Londres / Inglaterra, um conhecido pediu informações na estação de trem e teve a mala roubada por distração. Já em Paris na França, minhas malas foram extraviadas pela cia aérea por um mês — sorte que eu tinha cartões e documentos na mochila. Proteja-se: Mala sempre na mão e nada de confiar em bons samaritanos. Seguro-viagem é primordial (cobre extravio, saúde e até tênis novo!). Divida cartões (deixe um no cofre do hotel se for o caso) e sempre carregue dinheiro em espécie. O plano b que salvou minha vida (várias vezes) chip de celular internacional da Airalo: internet instantânea em qualquer país (código DARLAN6665). E mais: Contato com agências como a Sub4 Turismo Esportivo: resolveram meu desespero na América Latina, quando descobri que não estava inscrito na prova. Sala VIP do aeroporto: banho pós-prova e comida boa e livre salvam qualquer crise.
Importante, o retato cultural: Pesquisa tabus e costumes locais: No Japão, não assoe o nariz em público, fale alto ou mesmo se comunique nos trens (silêncio absoluto); no Catar, evite shorts, roupas curtas e contatos íntimos como beijos; no interior do Brasil, cumprimente todos ao entrar em um local. Fotografia perigosa: Em periferias brasileiras ou países da América Latina, pergunte antes de fotografar as pessoas ou os locais. Na França, fotos de prédios públicos podem gerar multas. Língua de emergência, esse é o X da Questão: Decore frases como “Onde é o banheiro?”, “Preciso de ajuda” e “Quanto custa?” no idioma local. Apps como Google Tradutor (com modo offline) salvam vidas.
Estude tudo sobre a prova
Estude sobre a região que vai viajar, sobre o regulamento, converse com seu treinador e principalmente esteja preparado para qualquer situação adversa que ocorra, não se desespere, se adapte e resolva rapidamente. Viagem não é sobre perfeição, mas sobre organização e resiliência. Leve essas dicas, adapte-as ao seu estilo e lembre-se: até o pior desastre sempre vira história para contar pós treinos ou no bar. Bons treinos camaradas!

