Q&A

Q&A com Abilio Cordeiro

Por: Sabine Weiler Edição 47 - março 2025
Q&A com Abilio Cordeiro

Participar de provas em outras cidades ou até em outros países se tornou uma experiência enriquecedora, que vai além do desafio na corrida: é uma oportunidade de explorar culturas, paisagens e viver momentos inesquecíveis. Mas nem sempre tudo sai como o planejado. Foi o que aconteceu com Abílio Cordeiro na Volta da Pampulha, em Belo Horizonte, no ano passado. A viagem, que deveria ser uma experiência esportiva, acabou se tornando um grande desafio antes mesmo da largada. Ao chegar ao hotel, ele e outros atletas descobriram que suas reservas simplesmente não existiam. Em entrevista à Runners Brasil, o atleta de São Paulo compartilha os detalhes dessa situação inesperada e, mais do que isso, traz aprendizados e dicas para evitar contratempos em viagens para correr. 

Sabine Weiler: Sua última viagem para correr em grupo não saiu como esperado. Como foi o momento em que vocês descobriram que não havia reserva no hotel para a Volta da Pampulha, em Belo Horizonte? Qual foi a primeira reação do grupo?

Abilio Cordeiro: Desembarcamos no aeroporto de Confins, no sábado, 07 de dezembro, e fomos direto ao local de retirada do kit de corrida. Nesse mesmo dia tínhamos um compromisso para almoçar na casa de um parente que mora em BH. Devido à demora na retirada do kit, resolvermos passar primeiro no hotel para realizar o check-in. Ao chegar no hall do hotel nos deparamos com uma grande confusão. Muitas assessorias discutiam na recepção. Resolvi entrar e perguntar também à recepcionista se estava tudo certo com a minha reserva, porém ela não conseguiu localizar e me fez a tão inesperada pergunta: por onde eu tinha sido feito a reserva. Ao responder que havia feito pela Decolar ela me disse que todos ali estavam com o mesmo problema, pois a Decolar não havia repassado as reservas ao hotel. No meio daquela confusão, já cansados da viagem e da demora na retirada do kit, resolvermos sair dali e ir para o compromisso que tínhamos.

Sabine: Diante da situação, vocês tiveram que buscar uma solução por conta própria ou o hotel e a agência ofereceu alguma alternativa imediata?

Abilio: Como na recepção já tinham me informado que eles estavam tentando realocar as pessoas em outros hotéis parceiros, mas que todos estavam com sua capacidade máxima, tentamos por conta própria verificar um hotel próximo à largada e realmente todos estavam lotados ou com preços absurdos. Graças a Deus fomos acolhidos na casa desse parente onde tínhamos um almoço marcado.

Sabine: O local onde vocês conseguiram se hospedar ficou muito longe do local da prova? Essa mudança afetou a logística e o descanso antes da corrida?

Abilio: A casa ficava em um outro bairro, cerca de 13km do local da largada. Essa mudança afetou nossos planos e descanso, pois tivemos que acordar mais cedo por não conhecer a região e o trânsito para chegar até a prova.

Sabine: O valor da hospedagem já estava pago no pacote. A agência ressarciu os custos ou vocês acabaram arcando com um novo gasto inesperado?

Abilio: Tínhamos fechado apenas o hotel pela Decolar e as passagens direto com a cia aérea. Para a Decolar havíamos pagado somente o valor da reserva e o restante seria pago diretamente ao hotel. O hotel, após o nosso retorno à São Paulo, entrou em contato perguntando onde havíamos nos hospedado e se tivemos algum custo adicional em nossa permanência na cidade. Mesmo sinalizando que não tínhamos tido custos, além do esperado, eles se prontificaram a ressarcir um valor referente a duas diárias como forma de desculpas pelo transtorno causado. Já a Decolar, até hoje não tivemos nenhum retorno e nem a devolução da reserva paga.

Sabine: Diante de todo esse transtorno, qual foi o maior aprendizado que essa viagem trouxe para você em relação a turismo esportivo?

Abilio: Em grandes eventos esportivos, como corridas internacionais, temos que nos antecipar na compra de passagens, reservas de hospedagens, planejar os roteiros e estudar os trajetos entre o hotel e a largada para não corremos o risco de intercorrências como a que tivemos em BH, lembrando que normalmente a quantidade de inscritos e de turistas aumenta muito o número de pessoas circulando na cidade, o que pode aumentar o tempo de deslocamento entre os destinos.

Sabine: Apesar da frustração, você conseguiu aproveitar a corrida? Ou o estresse e o cansaço comprometeram seu desempenho e experiência na prova?

Abilio: Sim, aproveitei muito. Foi uma experiência maravilhosa. Apesar do tempo muito quente, consegui fazer uma prova dentro do esperado mesmo tendo feito a maratona de Sorocaba duas semanas antes da Volta Internacional da Pampulha.

Sabine: Para outros corredores que planejam viajar para provas, quais são os principais cuidados que você recomenda para evitar imprevistos?

Abilio: Como sempre me falaram, uma boa opção seria contratar uma agência de turismo esportivo, que já tem todo o conhecimento referente a prova escolhida, mas isso vai depender do que cada pessoa pretende gastar para o evento, pois toda a estrutura oferecida pela agência tem o seu custo. Eu normalmente programo essas corridas alinhadas com as férias em família, por isso não tenho costume de solicitar orçamento para agência de turismo, pois como o que eles oferecem é por pessoa, fica inviável colocar a família toda no pacote.

Sabine: Antes dessa experiência, você já tomava precauções ao viajar para competições? Depois do que aconteceu, quais mudanças pretende adotar para garantir que isso não ocorra novamente?

Abilio: Sempre tomei precauções de confirmar uma semana antes passagem e hospedagem, mas confiei na agência e dessa vez não liguei. Recebi a confirmação do voo dias antes, mas para o hotel não ligamos, mas serviu como aprendizado. Para as viagens dentro do nosso território pretendo continuar fazendo como sempre fiz, orçando diretamente com as companhias aéreas e os hotéis próximos aos eventos.

Sabine: Além do planejamento com hospedagem e logística, quais são os principais cuidados que você recomenda para corredores em relação à bagagem, alimentação e hidratação antes de uma prova em outra cidade?

Abilio: Além de procurar se hospedar o mais próximo possível do evento, evitando preocupações com deslocamento, levar na bagagem sempre o necessário para o período de estadia. Eu para o dia da prova costumo levar sempre 2 opções de roupas sendo uma de calor e outra de frio. Na alimentação não mudar aquilo que já é de costume antes da prova. Se for para experimentar as comidas típicas da região do evento experimente após a prova. E a hidratação também manter o que já e de costume em suas rotinas de treino e do dia a dia.

Sabine: Quais são seus objetivos neste ano na corrida? Tem alguma viagem programada para correr?

Abílio: Até o momento já tenho programado a maratona de Porto Alegre que acontecerá em junho. Mas nesse período de treinamento talvez eu e o treinador encaixaremos algumas provas. Ah, não podemos esquecer a 100° edição da São Silvestre para finalizarmos o ano com chave de ouro.

Sabine: O que te motiva viajar para correr?

Abilio: Conhecer novos lugares fazendo uma das coisas que mais gosto, praticar corrida de rua.

Sabine: Quais lugares você já conheceu viajando para correr?

Abilio: Por enquanto fiz provas oficiais em Florianópolis, Sorocaba e Belo Horizonte, porém sempre aproveito as minhas viagens de turismo para correr na rua para conhecer os lugares, conciliando duas coisas que adoro: correr e viajar. Tenho planos de participar de importantes provas do Brasil e realizar sonhos de conhecer outros países, correndo também.

Sabine: Qual foi a sua maior conquista na corrida até hoje?

Abilio: Minha maior conquista foi a minha primeira maratona, em julho de 2023, a SP City Marathon, meus primeiros 42k aos 42 anos. Foi sofrida, mas foi a minha maior conquista como atleta, conseguir correr 42.195 metros sem parar. Já tinha realizado algumas meias maratonas, onde eu já achava uma loucura, correr por duas horas sem parar, mas fui convencido por um amigo, Kleber Dionizio, a fazer a primeira maratona.

Em 2024 fiz a minha 2° maratona, onde consegui bater meu RP, que também posso considerar hoje uma grande conquista. Foi mais fácil, pois o período de treinamento foi maior e bem trabalhado, meu treinador, Darlan Souza, conseguiu trabalhar em todas as minhas dificuldades e limitações me ensinando que se mantermos alinhado foco, treino, dieta e descanso o resultado é certo.

Sabine Weiler: Como iniciou a sua história com a corrida?

Abilio: Fiz minha primeira prova em 2016, incentivado pela empresa em que trabalho, Rcell Telecom, que todo ano patrocina pelo menos quatro provas. Participei de duas de obstáculos, com trechos de corridas muito curtos. Comecei em uma prova muito louca, a BRAVUS, realizada no Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho (Pacaembu), em São Paulo. Não sabia nada da minha saúde física e quando sai de lá pensei: como eu pude fazer uma coisa dessa? O esforço físico foi imenso. Ainda assim fui para a minha segunda BRAVUS no mesmo ano, mas dessa vez após fazer um checkup completo. E essa foi ainda mais insana, no Jockey Club de São Paulo. Já em 2017 fiz minha primeira corrida de 5k, a Night Run, no Sambódromo de São Paulo. Minha sobrinha, Bruna Quiquinato Cordeiro, que já era maratonista, me acompanhou e me ajudou a finalizar sem parar de correr. Esse foi o meu maior incentivo para começar a amar este esporte e não parar mais. Comecei a me dedicar mais, treinando por conta própria três vezes por semana e participando de provas todos os finais de semana. Como diz meu treinador, ‘um cachorro louco por medalhas.’ (risos)

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Sabine Weiler

Sabine Weiler

Jornalista (Time Runners)

Jornalista