Biomecânica da Corrida

Pequenos ajustes de postura para evitar impacto excessivo

Como a biomecânica ajuda a correr melhor, com menos sobrecarga

Por: Felippe Ribeiro Edição 57 - janeiro 2026
Pequenos ajustes de postura para evitar impacto excessivo

Fala RUNNERS, estamos on por aqui!

Iniciamos 2026 com força total, esse ano teremos pautas diversas dentro das nossas edições, cada um dentro da sua especialidade, e minha como vocês já sabem, é de BIOMECANICA DA CORRIDA!!!

Na minha coluna falarei um pouco de ajustes posturais para melhorar a sua corrida e evoluir com segurança!

Então desce e Let’s GO!

Correr é um gesto simples à primeira vista: um pé na frente do outro. Mas, por trás dessa simplicidade, existe um fenômeno biomecânico complexo, no qual pequenas variações de postura podem multiplicar — ou reduzir — as forças de impacto que atravessam o corpo a cada passada.

Para se ter uma ideia, durante a corrida o corpo pode receber forças equivalentes a 2 a 3 vezes o peso corporal a cada contato com o solo. Em um treino comum, isso se repete milhares de vezes. A boa notícia? Pequenos ajustes posturais são capazes de reduzir significativamente esse impacto, melhorando eficiência, conforto e longevidade esportiva.

Impacto não é vilão!!! Aprenda isso

É importante esclarecer: impacto faz parte da corrida. O problema surge quando ele é excessivo ou mal absorvido, ele vai acontecer!

Sobrecarga em estruturas como joelhos, quadris, coluna lombar e panturrilhas, vão ocorrer, e se sua capacidade de absorção não estiver boa, sua qualidade de sono pior ainda, se não estiver descansando, você pode aumentar o risco de lesões.

A biomecânica moderna não busca uma “técnica perfeita”, mas sim um padrão de movimento mais eficiente para aquele corpo específico, novamente ESPECÍFICO!

1. Postura do tronco

Um erro comum entre corredores é tentar “correr ereto demais” ou, no extremo oposto, inclinar excessivamente o tronco!

Inclinar vai ativar mais seus músculos do quadril e região lombar, e correr ereto, vai ativar mais seu quadríceps. Então qualquer dica ou alteração aqui, temos que lembrar que a ação muscular será modificada, assim precisamos saber como elas estão, antes de aumentar a demanda sobre ela. CUIDADO!

Um pequeno, e lembrando pequeno alinhamento anterior, pode melhorar um pouco a relação entre centro de massa e base de apoio, facilitando a progressão para frente e reduzindo forças de frenagem no contato inicial com o solo.

2. Contato do pé com o solo: evite “frear” a corrida

Um dos principais fatores associados ao impacto excessivo é o chamado overstriding — quando o pé toca o solo muito à frente do corpo a frente ao seu centro de massa, aquela sensação de “batida seca” no calcanhar, ou passada longa demais ou dor recorrente em joelhos ou canelas

Ajuste simples e eficaz: Tente pousar o pé mais próximo da projeção do quadril e pense em uma passada ligeiramente mais curta e rápida, pode se fazer um aumento da cadência que falaremos a seguir. Esse ajuste diminui o pico de força vertical e melhora a absorção do impacto pelo sistema músculo-tendíneo.

3. Cadência: pequenos aumentos, grandes benefícios

A cadência (passos por minuto) é uma variável extremamente poderosa e muitas vezes negligenciada.

Estudos mostram que aumentar a cadência em apenas 5–10% mantendo sua velocidade pode:

Reduzir impacto articular
Diminuir sobrecarga no joelho
Melhorar o controle do quadril

Na prática

Se você corre a 160 passos/min, experimente progredir gradualmente para 165–168, sem alterar a velocidade. O corpo se adapta rapidamente quando o ajuste é progressivo.

4. Braços

Os braços não servem apenas para “acompanhar” a corrida. Eles são fundamentais para o equilíbrio e a economia de movimento.

Ajustes-chave
• Cotovelos flexionados em torno de 80–90°
• Movimento para frente e para trás (evite cruzar o corpo), evite, mas se você faz não será uma catástrofe!! Por favor
• Mãos relaxadas, sem tensão. Braços muito rígidos ou descoordenados aumentam rotações indesejadas do tronco, o que se reflete em uma perda desnecessária de energia.

5. Estabilidade do quadril: o amortecedor central

Um dos principais responsáveis pela absorção de impacto na corrida é o complexo do quadril.

Quando há queda excessiva da pelve ou instabilidade lateral (drop pelvico), ou aquele bumbum caindo muto para um lado.

Fique atento se você apresenta
• Queda do quadril ao apoiar uma perna
• Sensação de “afundar” a cada passada
• Dor lateral no quadril ou joelho

Aqui, além do ajuste técnico e cadência que também vai te ajudar, o trabalho de força e controle neuromuscular é indispensável.

ATENÇAO: Essa é a única alteração de movimento que os últimos estudos evidenciaram que pode te machucar, CUIDADO!

Biomecânica não é engessar ou correr perfeitamente como um Kipchogue da vida!

Talvez o maior erro seja tentar mudar tudo de uma vez. O corpo responde melhor a pequenos ajustes conscientes, aplicados de forma progressiva e respeitando o nível do corredor. Só o fato de ter, regularidade na corrida, você vai automaticamente evoluir, pode crer!!!

Pense na biomecânica como o ajuste fino de um carro de corrida:
• Não muda o motor
• Não muda o objetivo
• Apenas melhora a eficiência e protege as peças

Você não precisa correr “perfeito” para correr bem. Mas entender como pequenos ajustes de postura influenciam diretamente o impacto pode ser o diferencial entre evoluir de forma consistente ou conviver com dores recorrentes.

A biomecânica, quando bem aplicada, não tira naturalidade da corrida — ela devolve fluidez, economia e longevidade.

Fico por aqui corredores.

Continuem a correr….

Galeria de Imagens

Full length of young man and woman in sports clothing jumping and jogging while exercising on the city street outdoors sportswomen-running-street-sunlight Young man doing sports and jogging, runing in a park.
Felippe Ribeiro

Felippe Ribeiro

Fisioterapeuta (Time Runners)

Fisioterapeuta