Abrimos o mês de outubro com diversos destaques na área da saúde, não só pelo já conhecido “Outubro Rosa”, em que se conscientiza sobre a prevenção do câncer de mama, ideia que já possui ampla divulgação, mas também por comemorarmos o dia do fisioterapeuta e do dentista, nos dias 13 e 25, respectivamente.
Aproveitando essas duas datas dessas profissões tão importantes no cuidado como um todo, trouxemos este mês um assunto que está mais em voga do que nunca: as Disfunções Temporomandibulares. Elas têm uma relação direta com ambas as áreas. E não se resumem apenas a bruxismo. Aliás, interdisciplinaridade é cada vez mais abrangente com diversas profissões. Odontologia e Fisioterapia não é diferente. E isso só amplia o conceito que afirmamos, de forma mais consolidada, de doenças multifatoriais.
Embora seja de conhecimento amplo essas inter-relações, alguns temas ainda são de difíceis compreensão inclusive para os profissionais de ambas as profissões. A importância de uma adequada postura cervical, por exemplo, pode interferir positivamente em uma adequada posição da mandíbula. Da mesma forma, uma inadequada oclusão pode proporcionar dores cervicais.
A temática da flexibilidade é inserida em diversos contextos nos tratamentos. Muitos dos tratamentos odontológicos necessitam de uma reabilitação alinhada com o fisioterapeuta.
Cirurgias ortognáticas, em que se corrigem relações de arcadas, por exemplo, necessitam do fisioterapeuta no pós-operatório para retomada da amplitude de movimento mandibular, o controle de edema e cicatrização e o restabelecimento da mastigação e fala.
Uma outra realidade presente na população é o bruxismo. Por muito tempo, trabalhamos em função das suas consequências. O nosso grande foco era esse. No entanto, um conceito mais abrangente e atual define o bruxismo como uma doença multifatorial. O apertamento ou o ranger de dentes atinge um número expressivo de pessoas, tendo em vista uma diversa gama de diagnósticos associados a ansiedade e outros transtornos. Com isso, a interdisciplinaridade entra com tudo! Abrange, além da odontologia, que trata as principais sequelas – o desgaste dentário – bem como a psicologia, buscando intervir nas principais origens, bem como a fisioterapia, com exercícios de consciência corporal e liberação miofascial dos músculos mastigatórios, amplamente envolvidos.
Pensar na flexibilidade muscular vai muito além do que imaginamos. É literalmente a prática de “uma coisa puxa a outra”. Um outro belo exemplo é a importância da manutenção do sistema estomatognático. Evidentemente, o número de perdas dentárias dos tempos atuais é muito menor do que as estatísticas que existiam das décadas de 1960, 70 e 80. No entanto, considerando que o corpo humano é algo perfeito e que todos os órgãos possuem uma função, uma perda dentária, por qualquer motivo, deve ser tratada com grande importância, pois ela ocasiona um desiquilíbrio nesse sistema. Sendo assim, com o sistema mastigatório reabilitado, nas mais diferentes extensões, possibilita uma adequada mastigação, a fonação, a deglutição, a fala e a postura. Já a fisioterapia ingressa na manutenção desta musculatura orofacial e cervical, prevenindo disfagias e dores crônicas.
De fato, o corpo humano é uma grande cadeia, em que tudo é extremamente interligado. Porém, muitas vezes, nossa limitada visão tende a observar os fatos isolados. Entendendo mais um pouco desses processos nos damos conta que o exercício físico (e a nossa querida corrida inclusa, é claro) é vida!
Contribuição: Mauricio Cernicchario Ouriques

