Corrida e Carreira

A corrida como bússola para decisões importantes em 2026

Menos pressa, mais clareza para decisões que realmente importam

Por: Eduardo Rodrigues Edição 57 - janeiro 2026
A corrida como bússola para decisões importantes em 2026

Janeiro costuma trazer uma mistura curiosa de empolgação com pressão. Todo mundo falando de metas, planos, mudanças. Parece que se você não tiver o ano inteiro resolvido nas primeiras semanas, já saiu atrasado.

Com o tempo, aprendi que minhas melhores decisões nunca nasceram sentado diante de um planner. Elas vieram em movimento. Vieram correndo.

A corrida virou minha bússola mental.

Quando a cabeça não acompanha o cargo

Lembro claramente de um dia específico. Eu tinha uma reunião com o CEO da empresa para apresentar um projeto no qual eu havia me empenhado ao máximo. Estava convicto de que seria um sucesso.

A reunião começou. Ele ouviu, analisou e foi direto: disse que o projeto não estava bom. Apontou falhas, sugeriu ajustes e deixou claro que daquele jeito não seguiria.
Na frente dele, fiz o que qualquer profissional maduro faria. Concordei, agradeci o feedback, mantive a postura. Por dentro, a história era outra. Eu queimava de raiva. Saí da sala com aquela sensação conhecida de injustiça, achando que ele queria me sabotar ou não tinha entendido o meu esforço.

Naquele dia, por coincidência ou não, havia um treino longo na planilha. Quinze quilômetros.

Correndo com sangue nos olhos

Saí para correr com a cabeça em ebulição. Cada passada martelava as frases que eu tinha ouvido na reunião. Não era um treino leve, nem mentalmente bonito. Era raiva pura transformada em movimento.

O curioso é que foi um dos melhores paces que já tinha feito até então. O corpo estava afiado, mas a mente em processo.

Por volta do quilômetro dez, algo mudou. A respiração estabilizou. A raiva começou a perder força. E no lugar dela surgiu uma pergunta simples: “E se ele estiver certo?”
Não foi um pensamento confortável. Mas foi honesto.

Quando completei os quinze quilômetros, a conclusão estava clara. O projeto realmente precisava de ajustes. Não por falta de esforço, mas por excesso de apego. Eu estava defendendo mais o meu ego do que a qualidade da entrega.

No dia seguinte , refiz o projeto com as alterações sugeridas. O resultado foi um sucesso.

A corrida não decide por você, mas limpa o caminho

Essa experiência me ensinou algo que carrego até hoje, especialmente no início de cada ano: a corrida não dá respostas mágicas. Ela tira o ruído.

Em janeiro, quando tudo parece urgente e confuso, correr ajuda a separar emoção de razão. Ajuda a entender se estamos reagindo por orgulho, medo ou clareza.

Na corrida, o corpo entra em ritmo e a mente, sem distrações, começa a conversar de verdade com você. Sem personagens. Sem máscaras.

Leve o ano no ritmo da respiração

Organizar mentalmente o ano não é ter todas as respostas. É criar espaço para escutá-las quando elas surgem.

Use alguns treinos como reuniões internas. Sem música. Sem celular. Apenas você, o passo e a respiração.

Pergunte durante a sua corrida:

O que eu estou defendendo por ego?
O que estou evitando por medo?
Onde preciso ajustar o ritmo para não quebrar lá na frente?
Assim como na corrida, decisões importantes não aparecem no sprint. Elas surgem no ritmo constante, quando a mente para de brigar e começa a entender.

Se 2026 tiver que ter uma direção clara, que ela venha assim: passada após passada, com menos ruído e mais verdade.

Porque no fim, tanto na corrida quanto na carreira, quem aprende a ajustar o ritmo no caminho costuma chegar mais longe.

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Eduardo Rodrigues

Eduardo Rodrigues

Mentor de carreira (Time Runners)

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