Protocolo Runners Brasil

O sono do corredor: o protocolo Runners Brasil para dormir melhor

Uma sequência prática para preparar o cérebro, proteger o descanso e decidir melhor no treino seguinte.

Por: Carlos Campelo Edição 65 - setembro 2026
O sono do corredor: o protocolo Runners Brasil para dormir melhor

Uma sequência prática para preparar o cérebro, proteger o descanso e decidir melhor no treino seguinte.

Este é o Protocolo Runners Brasil da edição sobre a ciência do descanso. Ele organiza, hora a hora, o que fazer antes de deitar, o que preservar na véspera de prova e como decidir o treino depois de uma noite ruim. Destaque, guarde e use.

A regra de ouro

Não busque uma noite perfeita. Busque uma rotina previsível. O cérebro aprende pela repetição: horários e sinais semelhantes ajudam a passagem do modo de atividade para o modo de descanso.

Não busque uma noite perfeita. Busque uma rotina previsível.

A contagem regressiva

  • 8 a 9 horas antes: defina o limite da cafeína. Como referência conservadora, evite café, energéticos e pré-treinos nas 8 a 9 horas anteriores ao horário de dormir. Doses maiores podem exigir intervalo ainda maior. A sensibilidade varia de pessoa para pessoa.
  • 3 horas antes: encerre a refeição pesada. Evite deixar grande volume de comida, álcool ou novidades alimentares para perto de deitar. Na véspera de prova, use apenas estratégias já testadas.
  • 90 minutos antes: feche o dia. Revise o treino da manhã, separe roupa e equipamentos e anote pendências. Tirar decisões da cabeça reduz a tendência de continuar resolvendo problemas na cama.
  • 60 minutos antes: abaixe luz e estímulos. Reduza a iluminação e o brilho das telas. Ative o modo noturno, silencie notificações e evite trabalho, discussões, notícias ou conteúdos muito estimulantes.
  • 30 minutos antes: repita o ritual. Deixe o celular longe da cama. Escolha duas ou três ações simples: banho, higiene, leitura leve, respiração lenta ou relaxamento muscular.
  • Na cama: proteja o ambiente. Quarto escuro, silencioso, organizado e confortavelmente fresco. Use máscara ou tampões se necessário. A cama deve sinalizar sono, não trabalho ou rolagem infinita.

A meta de sono

Organize a rotina para permitir, em geral, 7 a 9 horas de sono. Atletas podem precisar de mais tempo conforme carga de treino, recuperação e necessidade individual. O melhor indicador não é apenas o relógio: observe se você desperta restaurado e funciona bem durante o dia.

Véspera de prova: preserve o que já funciona

  • Não tente forçar o sono indo para a cama muito mais cedo do que o habitual.
  • Deixe número, roupa, tênis, hidratação, transporte e café da manhã organizados antes de iniciar a desaceleração.
  • Evite estrear suplemento, bebida, medicação, técnica de relaxamento ou alimento.
  • Se a ansiedade aparecer, escreva o plano da manhã e uma resposta curta: “não preciso dormir perfeitamente, preciso apenas descansar e seguir o que treinei”.

Uma noite isolada ruim não apaga o treinamento realizado. Evite transformar a preocupação com o sono em uma segunda fonte de vigília.

Uma noite isolada ruim não apaga o treinamento realizado.

Depois de uma noite ruim

Antes de sair, cheque cinco pontos. Cada sinal tem uma decisão correspondente.

  • Sonolência. Sinal: luta para manter os olhos abertos. Decisão: não dirija nem treine em ambiente de risco. Priorize a segurança.
  • Atenção. Sinal: erros incomuns, lentidão, distração. Decisão: troque tiros, técnica ou trilha por sessão leve ou descanso.
  • Humor. Sinal: irritabilidade ou ansiedade muito acima do habitual. Decisão: reduza a exigência e adie decisões importantes sobre o treinamento.
  • Esforço. Sinal: aquecimento leve parece excepcionalmente pesado. Decisão: reduza volume e intensidade, e reavalie após alguns minutos.
  • Recorrência. Sinal: noites ruins, ronco intenso ou sonolência repetida. Decisão: procure avaliação profissional. Não tente resolver só com cafeína.

Soneca de emergência

Se a rotina permitir, uma soneca curta de 20 a 30 minutos no início da tarde pode ajudar a reduzir a sonolência, com menor risco de acordar grogue. Evite deixá-la para perto do horário habitual de dormir. Em semanas de prova, teste antes. Não improvise.

Atenção

O protocolo é educativo e não substitui avaliação individual. Insônia persistente, pausas respiratórias percebidas, ronco alto frequente, despertares com sufocamento ou sonolência que compromete direção e trabalho merecem avaliação de saúde.

Referências

TUFIK, S.; ANDERSEN, M.; NUNES, M. Impactos da tecnologia no sono, comportamento e cognição. PUCRS Online, 2019.

WALSH, N. P. et al. Sleep and the athlete: narrative review and 2021 expert consensus recommendations. British Journal of Sports Medicine, 2021;55:356-368.

GARDINER, C. et al. The effect of caffeine on subsequent sleep: a systematic review and meta-analysis. Sleep Medicine Reviews, 2023;69:101764.

Carlos Campelo

Carlos Campelo

Psicólogo Esportivo - CRP 18/9852

Kenya XP 2024 🇰🇪 Kibet Maratonista Six Star 8x42k e 39x21k Analista Coach PNL Hipnose Neurociência Comportamental