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Destaque da Edição – Com Vivi Souza

227 km em 24h — a força de uma recordista brasileira

Por: Dani Christoffer Edição 55 - novembro 2025
Destaque da Edição – Com Vivi Souza

Há números que contam histórias. E há histórias que dão novos sentidos aos números.
Quando Vivi Souza cruzou as 24 horas com 227,417 km, não foi “só” o novo recorde brasileiro feminino: foi um manifesto de persistência, estratégia e coração.

Mãe, professora e atleta da Seleção Brasileira de Ultramaratona de 24h, Vivi, ao 46 anos, personifica a potência de quem equilibra rotina, trabalho, afeto e grandes metas — e encontra na corrida o seu lugar de propósito. Nesta conversa, ela que nasceu e vive até hoje em Capão da canoa – RS, abre o bastidor da conquista, fala sobre representatividade feminina nas longas distâncias, a importância da prevenção no Novembro Azul e os sonhos que ainda a movem.

“Persistir, acreditar e seguir, porque cada passo, por menor que pareça, nos leva mais perto dos nossos sonhos.” — Vivi Souza

Recorde, emoção e significado

Revista Runners Brasil: Vivi, 227,417 km em 24 horas — o novo recorde brasileiro. O que passou pela tua cabeça no momento em que percebeu que tinhas acabado de fazer história?

Vivi Souza: Não diferente das outras vezes em que representei a Seleção Brasileira de Ultramaratona de 24h, iniciei a prova muito emocionada. Com os olhos marejados, um nó na garganta e o coração acelerado, sentia um misto de alegria e responsabilidade por estar representando o time feminino brasileiro.

A emoção voltou com força quando alcancei a minha melhor marca que era de 209,815 km. Fiz uma breve pausa para me alimentar e recebi o abraço dos treinadores, que me informaram que, se mantivesse o ritmo, poderia bater o recorde brasileiro feminino. Voltei para a pista tentando processar o que havia acabado de ouvir. Eu sabia da existência do recorde, mas não fazia ideia da distância nem de há quanto tempo ele estava em vigor. Na volta seguinte, os professores e colegas trouxeram os números exatos e confirmaram: havia uma real possibilidade de alcançá-lo porque eu ainda tinha um bom tempo de prova, era seguir firme e confiante.
Foram mais ou menos 17 km de superação. A garganta apertada, o sorriso acompanhado do cansaço e, ao soar o sinal do término das 24 horas, as lágrimas vieram, eu havia percorrido 227,417 km e superado a marca feminina, tornando-me a nova recordista brasileira na modalidade.

“Vivi, tu estás fazendo história! Tu és a recordista brasileira nas 24h!”…

Naquele instante, tentei assimilar o que ouvia da equipe: “Vivi, tu estás fazendo história! Tu és a recordista brasileira nas 24h!”. Olhei para o céu e agradeci por tudo: pelas experiências, pelas mensagens de apoio, pela torcida e pela oportunidade de representar o Brasil em um Mundial de 24h e por todas as pessoas que cruzaram o meu caminho até eu chegar ali.

Foi um momento indescritível. Um turbilhão de alegria, cansaço e gratidão. Pensei na minha trajetória, nos treinos, nas renúncias, nas pessoas que acreditaram em mim e na Vivi que começou a correr apenas pelo prazer de se movimentar e sentir a liberdade que a corrida proporciona, sem imaginar onde poderia chegar. Com o coração acelerado e lágrimas de felicidade vi meu esforço transformado em conquista.

RRB: Esse número é quase poético: 227 km. Se ele pudesse falar, o que ele diria sobre você?

Vivi Souza: Acho que ele diria que sou feita de persistência, coragem e fé. Que cada um desses 227 km carrega uma história de determinação, superação, entrega e amor pelo que faço. Ele contaria sobre a mulher que não desistiu quando o corpo pediu pausa, que continuou acreditando mesmo quando o cansaço tentou dominar. Esse número, mais do que uma marca, é o reflexo da minha determinação em cada passo dado, em cada quilômetro percorrido e, acima de tudo, do meu respeito pelo processo, pela jornada e por tudo o que me trouxe até aqui.

RRB: Quando o corpo começa a pedir pausa, o que move sua mente a continuar?

Vivi Souza: Eu procuro mostrar ao meu corpo que ainda há energia para seguir um pouco mais. Conforme as horas de prova vão passando, digo a ele que está tudo bem diminuir o ritmo, mas que precisamos continuar firmes por mais algumas horas. Quando o corpo volta a pedir uma “trégua”, negocio comigo mesma: “podemos caminhar um pouco, recuperar o fôlego, mas a prova continua, ainda há mais algumas horas pela frente. Seguimos em movimento”!

RRB: Quais as provas mais importantes da sua carreira? Alguma em especial?

Vivi Souza: Conforme fui me desafiando nas distâncias, marcas importantes foram ficando pelo caminho. Minha primeira maratona foi inesquecível, não pelo tempo que fiz, mas pela alegria de completar os 42 km.
Conquistei o título de campeã na TTT – Travessia Torres Tramandaí, uma corrida de 84 km pelo litoral gaúcho. Enfrentei os 70 km da Patagonia Run, um desafio congelante, e os 109 km da Ultramaratona do Salto do Rio Pardinho, no RS, onde fui campeã. Nas ultramaratonas de 24h, cada uma das seis provas que já realizei me trouxe aprendizados e conquistas que reforçam meu encanto pelas longas distâncias.

Bastidores da conquista

RRB: Como foi o processo de preparação para o Mundial de Albi? Em algum momento passou pela sua cabeça: “acho que não vou conseguir”?

Vivi Souza: Eu não costumo participar de muitas provas ao longo do ano. Prefiro selecionar poucas e me dedicar inteiramente a elas. Por serem ultramaratonas, os ciclos de treino são longos, e é justamente isso que me fascina: ver as distâncias aumentando nos treinos e sentir o corpo respondendo já é, por si só, uma grande conquista.

Em abril deste ano participei das 24h de Toledo – PR e logo em seguida, soube que havia a possibilidade de serem convocados até três atletas de cada gênero para o Mundial. Fiz o descanso necessário após a prova de Toledo e logo reiniciei os treinos para mais uma jornada de 24 horas, mesmo na incerteza de ser ou não convocada.

Tenho plena convicção de que em uma prova, imprevistos e indisposições podem acontecer e já aconteceram comigo. Ainda assim, nunca penso que não vou conseguir. Meu foco é sempre completar as 24 horas. Escuto o corpo, administro o ritmo e sigo em frente, com a certeza de que, independentemente da distância alcançada, darei o meu melhor até o fim.

RRB: Há sempre um ponto de virada numa prova longa. Qual foi o seu — aquele instante em que deixa de apenas correr e passa a voar?

Vivi Souza: Será que seria pretensão minha dizer que “voei” durante 200 km, fazendo apenas paradas rápidas para me alimentar, hidratar, ir ao banheiro, troca de tênis e receber breves massagens? Talvez sim, mas foi exatamente assim que me senti durante cerca de 20 horas de prova, com “asas” fortes e a mente em plena sintonia.

Quando a corrida começou a pesar e as pernas sentiram o cansaço, a energia e a torcida do time que estava comigo me impulsionaram para as horas e quilômetros finais. Considero que foi uma prova onde tudo estava “encaixado” dentro do que me preparei.

RRB: Dizem que em 24h de prova o atleta vive uma vida inteira. Que emoções você viveu naquele dia?

Vivi Souza: A emoção começou 15 dias antes da prova, quando o presidente da CBAt, Sr. Wlamir Motta Campos, realizou uma live para a convocação oficial dos atletas para o Mundial de Albi. E foi da CBAt que recebemos toda a estrutura, logística e apoio técnico necessário, pelos quais somos imensamente gratos. Ver minha foto e ouvir meu nome naquela transmissão foi um momento lindo e profundamente emocionante. Estar entre as três primeiras mulheres do ranking brasileiro das 24h, ao lado de um time de atletas e treinadores tão dedicados, tem sido uma experiência de aprendizado constante, inspiração e enorme alegria.

Representar o Brasil neste Mundial é representar cada atleta que se desafia nas longas distâncias, é levar para a pista o esforço coletivo, os sonhos, a garra e o amor pela corrida de todos que vivem e torcem por esse esporte. E sentir, ao término das 24 horas, a minha emoção e poder compartilhar com o Brasil é transformar esta conquista em gratidão a cada pessoa, a cada atleta que se desafia e busca suas conquistas.

RRB: O que mudou na sua vida depois dessa conquista?

Vivi Souza: Não sou atleta profissional, sou mãe, dona de casa e professora. A corrida terminou no domingo, viajamos na segunda e na terça-feira, e na quarta eu já estava em casa com meu filho e de volta à sala de aula, nos turnos da manhã e da tarde com meus alunos, nas duas escolas em que trabalho. Uma rotina como a de muitas brasileiras, que conciliam a vida pessoal e profissional com os treinos de corrida.

Por ora, minha rotina segue a mesma. O que realmente mudou nesses dias de envolvimento com o Mundial foi o carinho recebido, de familiares, amigos e atletas de todo o Brasil. A corrida, através das redes sociais, tem esse poder de aproximar pessoas, mesmo à distância.
Na semana seguinte da prova, os treinos também retornaram, e a vida seguiu. Aproveito para agradecer à Revista Renner Brasil, que “viu” a atleta por trás dos 227 km e me deu a oportunidade de compartilhar um pouco da minha história. Que bom seria se mais meios de comunicação e empresas valorizassem, incentivassem e patrocinassem o atletismo, especialmente o atleta amador, assim como eu, que representa a essência da dedicação e da paixão pelo esporte.

Ultramaratonas

RRB: Como foi a transição para ultramaratonas?

Vivi Souza: Quando comecei a correr com a orientação da minha treinadora, Aline Negruni, da Meta Assessoria aqui de Capão da Canoa (RS), eu nem imaginava que existiam provas e corridas de longas distâncias. Iniciei gradativamente: 10 km, 15 km, 21 km e, depois, a tão sonhada maratona. Meu corpo sempre respondeu bem aos treinos mais longos e, por nunca ter tido lesões sérias que me impedissem de treinar, fui aumentando as distâncias. Com o tempo, os ciclos de preparação para provas maiores se tornaram a minha preferência.

Participei de provas de 50 km, 70 km e 80 km, e tinha o desejo de realizar uma prova de “três dígitos”, acima de 100km. Com a pandemia, esse sonho foi adiado, mas nunca esquecido. Quando surgiu na minha região uma prova de 109 km – Ultramaratona do Salto do Rio Pardinho e o Desafio 24h de Caxias do Sul, participei de ambas, e conquistei o título de campeã nas duas provas.

Foi após essa primeira prova de 24h em Caxias que fiquei sabendo da existência de um ranking nacional nesta modalidade de corrida. Dias depois, recebi a orientação da Vanuza Velho, do PR, e me filiei a um clube, credenciado à Confederação Brasileira de Atletismo – CBAt (hoje filiada à ASCORT, aqui do litoral gaúcho). No mesmo ano, em 2023, participei das 24h de Indaiatuba (SP), onde fui campeã com 206 km percorridos. Essa marca me colocou em 2º lugar no ranking feminino e me levou à convocação para representar o Brasil no Mundial em Taipé Chinesa (China) em 2023 e no Continental em Mar del Plata (Argentina) em 2024.

Representar o Brasil pela terceira vez (agora no Mundial da França) em competições internacionais é uma alegria e uma honra indescritível. Foi um processo de descobertas graduais, no qual fui conhecendo, passo a passo, km a km. Hoje posso afirmar, com convicção, que os ciclos de treino e as ultramaratonas, sejam de asfalto, pista ou trail, têm a minha total admiração, preferência e respeito.

RRB: Como é sua rotina de treinos hoje?

Vivi Souza: No ciclo de treinos para o Mundial, eu seguia uma rotina com cinco dias de corrida por semana e dois dias de treino de força na academia, ambos orientados por profissionais da área. A Professora Aline Negruni, da Meta Assessoria, que há nove anos me ensina e orienta com excelência e profissionalismo, onde construímos uma relação de confiança, amizade e parceria que vai além dos treinos e provas de corrida. Também conto com o acompanhamento do Professor Marcos Ramos, na Academia Zero Um, a quem agradeço imensamente, junto à equipe, pelo suporte e dedicação fundamentais para o meu desempenho.

E, se o assunto é profissionalismo e dedicação, não posso deixar de mencionar o Professor Marcos Gomes, hoje Assessor da Presidência da Confederação Brasileira de Atletismo na Área da Ultramaratona, verdadeiro mestre do atletismo e das ultramaratonas, incansável na busca pelo reconhecimento e valorização da modalidade e com quem eu tive o prazer de ser orientada em três competições internacionais. Da mesma forma, registro meu agradecimento ao Professor Itamar Goes, que com sua competência, experiência e atenção, orienta e oferece o melhor suporte antes, durante e depois de cada grande desafio pela Seleção Brasileira. Profissionais e amigos que a corrida me presenteou, gratidão!

Mulher, força e representatividade

RRB: Você representa a Seleção Brasileira e, ao mesmo tempo, milhares de mulheres que equilibram casa, trabalho, filhos e treinos. Quando você coloca o uniforme verde e amarelo, quem é que você sente que corre contigo?

Vivi Souza: Tantas pessoas correm comigo… Mas cito, em primeiro lugar, meu filho Caetano, com quem compartilho minha rotina e minha vida há 16 anos. Ele é meu maior amor e a voz que ouço mais alto em todos os momentos por onde quer que eu esteja.

Junto a ele, correm comigo meu namorado, familiares e amigos próximos, que enchem minha vida de carinho, torcida e admiração, sempre compreensivos e incansáveis diante da minha rotina de treinos e provas.

Mas quando visto o uniforme verde e amarelo, sinto que corre comigo também uma seleção incontável de mulheres que vibram e torcem pela corrida, que enfrentam seus próprios desafios e rotinas, buscam suas metas e se alegram com suas conquistas de seus pares. Porque, no fim, cada passo dado, cada km que percorri é também por todas que acreditam no poder transformador da superação.

E com muito orgulho sou treinada por uma mulher, uma “Ironwoman” competente, sábia e muito profissional, a Treinadora Aline Negruni, exemplo de mulher.

“A ultramaratona é feita de corpo, mente e coração, e nessas dimensões, a mulher tem mostrado que sua potência vai muito além do que se imagina”. – Vivi Souza

RRB: Como é ser uma mulher a quebrar recordes num esporte em que a resistência é, muitas vezes, associada à força masculina?

Vivi Souza: É, antes de tudo, uma forma de mostrar que a força não tem gênero. A ultramaratona é feita de corpo, mente e coração, e nessas dimensões, a mulher tem mostrado que sua potência vai muito além do que se imagina.

Cada conquista é também um ato de representatividade, uma mensagem para outras mulheres de que é possível ocupar esses espaços, desafiar limites e reescrever padrões. É gratificante ver que o esporte está mudando, e que hoje somos cada vez mais mulheres cruzando linhas de chegada, inspirando e abrindo caminho para que outras venham também. A prova disso estava no Mundial, onde tinham 169 homens e 221 mulheres representando as 45 nacionalidades.

“Nós, mulheres, também pertencemos a esse lugar de resistência, coragem e superação”.

RRB: Como você vê esse boom de mulheres em ultramaratonas?

Vivi Souza: Vejo como algo lindo e muito significativo. Por muito tempo, o esporte de resistência foi visto como um território essencialmente masculino, e agora estamos vivendo uma mudança inspiradora. Cada vez mais mulheres estão se desafiando, ocupando pistas, trilhas e pódios, mostrando que resistência também é sensibilidade, estratégia e força emocional. A prova disso foi a quebra de vários recordes femininos neste Mundial, com marcas impressionantes acima de 170 km, evidenciando o quanto as mulheres têm conquistado seu espaço e elevado o nível da ultramaratona mundial.

A ultramaratona exige mais do que força física, exige equilíbrio, autoconhecimento, paciência e uma relação profunda com o próprio corpo e mente. E acredito que muitas mulheres têm se identificado com isso, encontrando na corrida uma forma de expressar sua força, liberdade e autonomia.

Correr para prevenir – Novembro Azul

RRB: Novembro é o mês da saúde do homem. Como atleta, professora e mãe, o que dirias aos homens que ainda resistem a cuidar da própria saúde?

Vivi Souza: Diria que cuidar da saúde é um ato de amor-próprio e de responsabilidade com quem amamos. Muitas vezes, os homens são ensinados a suportar a dor, a não demonstrar fragilidade e acabam adiando cuidados importantes. Como atleta, sei o quanto o corpo fala e o quanto a prevenção faz diferença no desempenho e na qualidade de vida. Como professora e mãe, vejo o quanto os exemplos importam, cuidar-se é o primeiro passo para continuarmos sendo ativos no esporte, presença e inspiração na vida de quem amamos e torce por nós.

RRB: A corrida, para você sempre foi sinónimo de equilíbrio. Você acredita que ela também pode ser uma forma de prevenção emocional?

Vivi Souza: Sem sombra de dúvidas, por experiência própria. A corrida entrou na minha vida em um momento em que eu me sentia um pouco triste e precisava reencontrar “meu eixo”. Aos poucos, ela se tornou um espaço de autoconhecimento e equilíbrio emocional. É um tempo que dedico a mim, um momento de escuta interna. Acredito que a corrida, e o esporte de forma geral, é uma das formas mais bonitas de prevenção emocional, porque nos conecta com o corpo e com a mente. E isso é sobre: paciência, resiliência, dedicação, disciplina, é sobre a importância de seguir em frente, um passo de cada vez.

Vida, propósito e futuro

RRB: Você tem um filho adolescente. Que valores espera que ele aprenda ao ver a mãe bater recordes e nunca desistir? Você tem o apoio da familia?

Vivi Souza: Espero que ele aprenda que nada vem por acaso, que cada conquista é resultado de disciplina, dedicação e amor pelo que se faz. Quero que ele entenda que o sucesso não está apenas no pódio e recordes, mas em persistir mesmo quando é difícil, em respeitar o processo e em seguir acreditando, mesmo quando os resultados demoram a aparecer. Resiliência, autoconfiança e humildade são valores tão importantes como nossas conquistas pessoais e manter os pés no chão e o coração grato, torna tudo ainda mais especial.

Quando saiu a convocação, minha mãe me ligou para parabenizar e disse: “Eu acho tudo isso uma loucura, você viajar para tão longe, sem conhecer pessoas e lugares, e ainda correr por 24 horas! Mas, se é o que tu gosta e te faz feliz… que dê tudo certo!.” Em poucas palavras, senti um misto de amor, proteção, zelo e coragem. Entendo perfeitamente o sentimento dela, o cuidado de mãe que teme, mas apoia.

Falar de família e corrida sempre me emociona, porque sei que, mesmo à distância, eles correm comigo em cada passo, torcendo e acreditando junto. E esse suporte da família, do filho, namorado, colegas e amigos me dão forças para seguir, porque ninguém percorre longas distâncias sozinha, e eu sei que levo comigo o amor e a torcida de todos eles a cada quilômetro.

RRB: Quando não está correndo, onde prefere estar?

Vivi Souza: Gosto de estar com quem amo, com pessoas que valorizam a vida em cada momento. Gosto de estar em casa, tomar um chimarrão na praça, admirar o mar, ter uma boa conversa e aproveitar a simplicidade das coisas. São nesses momentos que recarrego as energias e encontro o mesmo equilíbrio que a corrida me traz.

RRB: O que é a corrida para você?

Vivi Souza: A corrida é uma das atividades do meu dia que faço com maior prazer. Quando recebo minha planilha de treinos no domingo, já organizo a semana: trabalho das 8h às 12h e das 13h às 17h, e a partir disso ajusto os treinos de corrida e de força, a rotina com meu filho, os horários de mercado, afazeres de casa e os momentos de lazer no fim de semana, tudo em volta dela, da planilha de treinos.

“É também na corrida que encontro leveza, foco, disciplina e alegria, mesmo nos dias mais cansativos”. – Vivi Souza

A VIDA

RRB: O que é a vida para você?

Vivi Souza: A vida, é uma oportunidade preciosa de aprendizado feita de ciclos, de recomeços e de escolhas diárias. É movimento, assim como na corrida, com momentos de fôlego e também de pausa. Viver é agradecer, é se permitir sentir, é valorizar as pessoas e as experiências que cruzam o nosso caminho.

“A vida é isso: um percurso onde cada passo, por menor que pareça, tem sentido quando é dado com amor, fé e propósito”.

RRB: Depois de um recorde histórico, o que ainda te desafia? Existe um “sonho secreto” guardado para os próximos anos? Quais os planos e próximos projetos agora?

Vivi Souza: O que me desafia a continuar correndo é justamente o amor por esse esporte. Estou com 46 anos e não sei por quanto tempo ainda estarei nas provas de 24h, mas estou muito feliz com tudo o que conquistei até aqui e hoje me sinto forte, motivada e com o coração aberto para seguir sonhando com essas e outras corridas de longas distâncias, porque essas têm, literalmente, o meu coração.

Sim, ainda tenho sonhos, e um deles é correr a Spartathlon, na Grécia, uma prova que admiro profundamente e o outro é a Comrades, na África do Sul, uma das ultramaratonas mais antiga e tradicional do mundo. Mas alguns sonhos dependem também de recursos financeiros e, por não ter patrocínio ou apoio de marcas, esses sonhos ainda estão guardados com carinho em um cantinho do peito. Quem sabe um dia…

Agora, em novembro, terei a honra de correr as 12h da Ultramaratona de Santo Ângelo, aqui no RS. E, para 2026, já planejo sentar com minha treinadora para traçarmos juntos novas metas e desafios.

RRB: Se pudesse resumir tudo o que você viveu até aqui em uma frase curta — o seu “mantra pessoal” — qual seria?

Vivi Souza: Persistir, acreditar e seguir, porque cada passo, por menor que pareça, nos leva mais perto dos nossos sonhos.

RRB: Que legado ou mensagem gostaria de deixar?

Vivi Souza: O esporte é transformador, independentemente da idade, da modalidade, do ritmo ou da velocidade. Ele tem o poder de fortalecer o corpo, acalmar a mente e despertar o que há de melhor em nós. É sobre acreditar, persistir e seguir em frente, mesmo quando o caminho parece difícil, por isso encontre algo que te mova, que te desafie e te faça feliz e viva essa experiência com dedicação, disciplina e gratidão.

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Dani Christoffer

Dani Christoffer

Editora Runners Brasil e Jornalista (Time Runners)

Jornalista Periodista • Maratonista VIVÍ MEJOR @ellitoral Editora-chefe Revista Runners Brasil