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Pergunte ao Time: oito especialistas respondem as dúvidas dos leitores sobre descanso e recuperação

Todo mês, o time Runners Brasil responde às dúvidas que chegam pelos nossos canais. Estas são as de setembro.

Por: Redacao Runners Brasil Edição 65 - setembro 2026
Pergunte ao Time: oito especialistas respondem as dúvidas dos leitores sobre descanso e recuperação

Todo mês, o time Runners Brasil responde às dúvidas que chegam pelos nossos canais. Estas são as de setembro.

Nesta edição, as perguntas giraram em torno do tema do mês: descansar. Sono interrompido, exames normais, trilha leve, cochilo, férias e a linha fina entre disciplina e cobrança. Oito especialistas do time responderam.

Uma noite mal dormida é motivo para cancelar o treino?

Nem sempre. Uma noite isolada não determina automaticamente o cancelamento, mas muda a forma de decidir. Antes de sair, observe sonolência, dificuldade de atenção, irritabilidade, sensação de esforço e o tipo de sessão prevista. Um treino leve pode ser ajustado, enquanto tiros, longões exigentes, percursos técnicos ou atividades de risco maior pedem mais cautela. Se você estiver lutando para permanecer desperto, com atenção muito reduzida ou sensação de insegurança, priorize o descanso e converse com o treinador. Quando noites ruins se repetem, vale investigar a causa com um profissional de saúde.

Carlos Campelo, psicólogo, CRP 18/9852, neurociência do comportamento

Meus exames vieram todos normais. Isso descarta overtraining?

Não. Não existe exame que confirme ou exclua a síndrome de overtraining. O laboratório serve para afastar o que imita o quadro, como anemia, tireoide, infecção e deficiência de ferro ou de vitamina D, e para corrigir o que o agrava. O diagnóstico é clínico: queda de desempenho sustentada por semanas, sinais somados e recuperação incompleta mesmo reduzindo a carga. Exame normal com esse conjunto de sintomas não tranquiliza. Confirma que o problema é a carga.

Dra. Ana Paula Simões, ortopedista e médica do esporte, CRM-SP 108667

Exame normal com esse conjunto de sintomas não tranquiliza. Confirma que o problema é a carga.

Trilha leve conta como descanso ativo?

Sim, desde que a atividade seja realizada em baixa intensidade e não represente uma carga significativa. O objetivo do descanso ativo é promover movimento e circulação, favorecendo a recuperação sem gerar nova demanda de treinamento. Mas observe o percurso: trilhas com muitas subidas e descidas, terrenos técnicos, longa duração ou ritmo elevado geram carga considerável e deixam de ser descanso. Se você termina com as pernas pesadas ou mais cansado do que começou, a intensidade foi maior do que o ideal. Trilha leve pode ser descanso ativo, mas leve precisa ser realmente leve.

Ramiro Kramer, treinador, Runners Brasil

Dormir mal piora a pele do atleta?

Sim. O sono é o momento em que a pele se regenera: repara a barreira cutânea, reduz a perda de água e cicatriza microlesões, como assaduras e bolhas da corrida. Sem sono suficiente, esse processo trava, a pele fica mais seca, sensível e demora mais para cicatrizar. Além disso, noites mal dormidas aumentam a inflamação no corpo todo, o que pode piorar dermatites, acne e outras doenças inflamatórias da pele. Dormir bem é parte do treino: tão importante para a pele quanto para os músculos.

Sabrina Cabral, dermatologia, Runners Brasil

Dormir bem é parte do treino: tão importante para a pele quanto para os músculos.

Acordo muitas vezes durante a noite e faço bruxismo. Existe correlação?

Existe um aumento da atividade muscular noturna considerado normal em pessoas que não fazem bruxismo. Entretanto, nas pessoas que fazem bruxismo noturno, esse aumento é aproximadamente três vezes maior, o que determina o que chamamos de microdespertar, possivelmente alterando a qualidade do sono. A classificação internacional das desordens do sono considera que o bruxismo está relacionado a distúrbios do movimento ligados ao sono.

Dr. Victor Wolwacz, odontologia do sono

O cochilo ajuda na recuperação?

Sim, o cochilo pode contribuir. Estudos indicam que dormir durante o dia pode reduzir a percepção de fadiga, melhorar o estado de alerta e favorecer alguns aspectos do desempenho físico e cognitivo. Cochilos de 20 a 30 minutos são uma opção prática, pois diminuem o risco de sonolência ao despertar. Entretanto, o cochilo deve complementar, e não substituir, uma noite de sono adequada, que continua sendo essencial para a recuperação do corredor.

Eduardo Barbosa, corrida e ciência, Runners Brasil

Vale viajar para descansar correndo? O que são férias ativas?

Sim, e pode ser uma ótima combinação. Férias ativas são viagens em que o exercício faz parte da experiência, sem transformar o descanso em uma planilha de treinos. Correr em uma cidade nova, conhecer um parque, fazer uma trilha ou simplesmente caminhar um dia inteiro desbravando a cidade pode ser uma forma leve e prazerosa de se movimentar. A ideia é trocar a obrigação pelo prazer: você não precisa bater pace, cumprir quilometragem ou buscar performance. Para quem corre regularmente, esse período também é uma boa oportunidade para diminuir a intensidade, experimentar percursos diferentes e deixar o corpo e a cabeça descansarem.

Henrique Farias, turismo esportivo, Runners Brasil

Como diferenciar disciplina de cobrança excessiva quando preciso descansar?

As duas podem parecer muito parecidas na prática, mas a diferença está no motivo por trás do comportamento. A disciplina está a serviço dos seus valores e objetivos; a cobrança excessiva transforma uma escolha em uma regra rígida, fazendo você colocar a meta acima dos sinais do próprio corpo, da sua rotina e das necessidades do treinamento. Um corredor disciplinado entende que descanso, recuperação e ajustes também fazem parte do processo, e reserva espaço para eles. Já quando surge culpa por não correr, ou a necessidade de treinar a qualquer custo para provar comprometimento, a relação com a corrida pode estar ficando mais rígida. A cobrança excessiva é rígida. A disciplina sabe trabalhar com adaptações.

Carô Queiroz, psicologia do esporte

A cobrança excessiva é rígida. A disciplina sabe trabalhar com adaptações.

Sua pergunta na próxima edição

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