A estratégia de jejum intermitente tem sido muito adotada por indivíduos que praticam exercícios de endurance e desejam melhorar sua composição corporal. Mas o que será que a literatura nos mostra? É importante lembrar que o jejum tem sido praticado por milênios devido a crenças religiosas e vem se popularizando muito nos últimos tempos.
Mas o que será que a literatura nos mostra?
Estudos mostram que o jejum intermitente é capaz de melhorar alterações metabólicas e pode trazer alguns benefícios, como:
- redução de glicemia
- melhora da inflamação crônica
- melhora da sensibilidade à insulina
- melhora da função cognitiva
- redução na produção de radicais livres
- melhora na motilidade intestinal
Porém, não existe consenso na literatura de que a prática de jejum intermitente potencializa o emagrecimento ou melhora a performance esportiva. Até o momento, o que temos de estudos com atletas e praticantes de atividade física é somente que a prática de endurance de baixa a moderada intensidade em jejum pode potencializar respostas adaptativas (como biogênese mitocondrial e aumento na oxidação de gordura), que de forma aguda não melhora a performance ou leva ao emagrecimento; porém, não se sabe se o efeito crônico do jejum no endurance pode trazer resultados.
A principal defesa do jejum intermitente é que, com exceção da sociedade atual, o padrão alimentar de muitos mamíferos é caracterizado pelo consumo energético intermitente (animais carnívoros matam e comem suas presas apenas algumas vezes na semana). Dessa forma, a capacidade de resistir a períodos de escassez de alimento e ao jejum intermitente foi determinante para a sobrevivência da nossa espécie. Muitas adaptações (metabólicas e cognitivas) para sobrevivência nesse período de escassez são conservadas entre os mamíferos.
Outro ponto importante é que somos seres únicos, ou seja, precisamos considerar as individualidades metabólicas! Nem todas as estratégias funcionam da mesma forma para todos.
Vale ressaltar que, quando pensamos em performance, podemos utilizar diversas estratégias alimentares de acordo com a periodização de treinamento de cada indivíduo. Mas vários estudos mostram a importância de um adequado consumo de carboidratos (ao longo do dia e antes, durante e após o treino), proteínas, gorduras e micronutrientes (que devem ser calculados de acordo com a intensidade/duração do exercício e de acordo com o peso de cada um) para potencializar a performance, evitar lesões e melhorar a recuperação muscular.
Sendo assim, a única aplicação do jejum na corrida seria para treinos de baixa a moderada intensidade e curta duração, porém mais estudos são necessários.
Vale sempre lembrar que toda estratégia alimentar focada para corrida deve ser feita com acompanhamento de um nutricionista esportivo, que irá considerar suas individualidades bioquímicas e necessidades de acordo com seu objetivo, carga de treinamento e rotina.
Patrícia Anésio de Barros Coelho — Nutricionista pós-graduada em Nutrição Esportiva Funcional
Referências: Naves, A.; Baptistella, A.B. Análise Crítica das Estratégias Nutricionais para Performance Esportiva & Emagrecimento. 1. ed. São Paulo: VP Editora, 2016. Revista Brasileira de Nutrição Funcional, São Paulo, v. 67, p. 22-29, 2016.